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Mostrando postagens de 2014

Celebre o Natal!

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Eu vi uma selfie acontecer na Loja de Conveniência enquanto abastecia o meu carro. Três rapazes compunham a foto. Estavam bem vestidos, bonitos até, de óculos escuros, alguns de barba. Cada um segurava uma garrafa de vodca, cervejas e uma sacola com carne crua. Provavelmente fariam um churrasco. Em seguida o que estava com o celular na mão já começou a mexer no aparelho. Reconheci logo o movimento. De certo estava enviando a imagem pros colegas, compartilhando nas redes sociais. Eram alegres e pareciam estar "curtindo" o pré-feriado de Natal. 
Eu, de dentro do carro, os observava. Não estava com meus amigos. Ia buscar a minha vó, um forno para ajudar a assar as coisas e sobremesas que já estavam prontas. Aqui em casa não seria um churrasco. Era uma ceia em família. Tudo é questão de escolha... Fiquei pensando sobre todas essas coisas e me recordei dos tempos de colégio. Eu tinha amigos que não eram católicos e no fim do ano eles sempre me questionavam a validade de celebrar…

Lista 2015

Passei o ano inteiro fazendo listas diárias de tarefas. Poucas eu cumpri. Estiquei os prazos. Algumas realizei no momento. Outras em semanas ou meses. Algumas ainda estão por fazer. Embora traga uma efêmera sensação de organização, não adianta enquadrar no excel quem já nasceu bloco de notas. Mas...  Há duas semanas do fim de 2014, ainda quero fazer duas listas. Sem grandes pretensões. (Esse é outro problema em dividir a vida em itens. Sempre nos super estimamos e a frustração chega por nossas próprias mãos). Não quero dizer, no entanto, que vou me acomodar. Quero dizer que eu vou dar o tempo da maturação das coisas. E deixar fluir...  Bom! Das duas, uma é de tudo que quero fazer. Contudo, a lista mais importante é de tudo que eu não deixarei virar comigo o 2015. Vai ficar a expectativa. Nem da porta vou deixar passar as ilusões. Não quero mais conviver também com o engodo da obrigação de ser quem não sou. Não vai passar o "sim" pra tudo. O medo eu vou sumir com ele. E a auto…

_amaciou...

É num momento qualquer que o amor encontra uma brecha para amaciar o coração. Vem como uma ficha que cai. E daí, tudo aquilo que aparentemente parecia embrutecer os sentimentos se desfaz como o giz sendo apagado de um quadro negro. 
Percebe-se então que a escolha pela acolhida é mais certa que o afastamento. Os ouvidos servem mais do que a boca que fala. Nem sempre a raiva que macula nosso interior faz sentido. Acho que nunca terá razão. 
O tempo cai por terra os motivos supra-banais. Abrem os olhos para tantas arestas que foram ficando pelo caminho. Hoje de nada valem. É por isso a importância de se perceber a fagulha do amor. 
A fagulha... se preservada, se transformará em fogueira. Primeiro em mim, depois acesa no outro. Que meus olhos sempre enxerguem a fresta de luz em meio ao caos. 
Amém.

O canto do galo

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Há certa sacralidade em ouvir o galo cantar. Eu, aqui nesse quarto escuro, me recordo de minhas avós. O canto era sinal para que levantassem . Ai elas encaravam a vida. Nos olhos, firmemente. O galo me lembra que, daqui a pouco, Deus vai amanhecer o dia. E eu preciso olhar fixo para a vida. 
O galo remete-me às terras goianas e mineiras. Ao cheiro do crepitar da lenha no fogão. Do café coado. Do pão de queijo assado e quente na mesa. O galo emerge detalhes de uma trajetória que adocicam a minha existência. 
O galo canta. E eu ouço até o radinho velho rezando o terço logo cedo. O galo canta e posso me enxergar debaixo do mosquiteiro no "quarto da cama de casal" da chácara do mestre, em Formosa. O galo canta e eu vejo uma bacia azul de minha vó Hilda. 
O galo canta e eu fico revirando memórias. 
Memórias.

D.O.R

Hoje no trânsito parei atrás de um carro cuja a placa tinha a sequência de letras: "DOR". Primeiro, a DOR me causou espanto. Fiquei chocada como alguém se submete a andar todos os dias em companhia da DOR por aí. Mas depois me acostumei com a DOR à minha frente. Ainda assim me intrigava. Então decidi que registrar o momento com a DOR tão perto seria interessante. Peguei o celular com dificuldade. Mas a estrada não parava. A DOR ia ficar sem foco. Me angustiei. Tentei umas três vezes. Nada. Era melhor parar. A DOR podia me causar um acidente. Fiquei só contemplando então. Tinha até uma trilha sonora, a DOR. "Comfortably numb". Ai, DOR! Tava começando a gostar de você. Mas aí um carro entrou em nosso meio. E perdi você de vista. DOR, você sumiu no caminho, sem que eu percebesse! Então seguimos separadas. Percebi, ao fim, foi interessante te conhecer. E deixar você ir também. 
Não vou me preocupar. Ainda vamos cruzar por aí! Como disse uma amiga minha, a dor é passageir…

Diana

Diana tem os olhos grandes e um bico emburrado, embora saiba sorrir também. Hoje está com os cabelos enroladinhos bem esticados e presos por duas tranças laterais. A amarração foi tão forte que criou um caminho de couro cabeludo no meio da cabeça. Sobre a testa, os fiapinhos soltos mostram que o penteado foi feito antes de ir pra escola. Agora é depois da escola. É por isso que está com raiva. Queria ir pra casa. E a mamãe ainda inventa de passar no salão de beleza. Pelo menos ganhou colo e pôde enfiar o rosto entre o cangote materno e os cabelos com luzes cheirosos dela. 
Diana é pequena para a idade e tem as pernas e braços bem gordinhos, cheios de pelinhos pretos. Nessa quinta feira está de vestido rosa claro com bolinhas azuis escuras (que bate em suas canelas) e um tênis preto com o solado alaranjado reluzente. Diana está colorida como um jardim florido. As bochechas também estão pintadas. Será que foi a canetinha na aula de Artes? Não tem como saber. Diana pouco fala. Embora do…

Carta aos professores

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Nós estávamos na fila da Riachuelo quando um rapaz com mais ou menos 30 anos chegou e cutucou a minha mãe. "Professora Juliana?" "Sim!", ela respondeu. "Lembra de mim? Sou fulano, a senhora me deu aula lá na 31 de Ceilândia." Minha mãe lembrava. Os dois se abraçaram. Ele a agradeceu pelo dia em que ela bateu na porta da casa dele e conseguiu convencê-lo de voltar para a escola. Aquele olhar carinhoso mudou a sua vida. Hoje estava trabalhando, havia formado em química na UNB e era pai de família. Essa memória já tem alguns anos.

Outra vez, ela chegou em casa contando que havia recebido, pela primeira vez na vida, um comunicado da Regional de Taguatinga sobre o seu trabalho. Gelei. Já imaginei confusão. Mas na verdade era só um elogio formal ao modo como a professora Juliana conduz suas aulas. Essa memória também tem alguns anos.

Quando criança, confesso. Morria de ciúmes das cartinhas que recebia. Mãe, perdão. Já pensei, na minha ignorância de filha única…

Um bebê com a Peppa e Deus

Estava na missa. E de tão cheia de gente, pouco se via e ouvia as palavras do sacerdote no altar. Era hora da homilia. Ainda tentei prestar atenção. Forcei os ouvidos. Quis me desligar das conversas paralelas. Mas meu olhar não conseguia alcançar o microfone. Muitas pessoas circulavam no corredor. Vi-me então contemplando a cruz enquanto o pensamento fazia um cruzeiro por meus litorais interiores... De repente, meus olhos recaíram sobre a minha mãe e Guilherme,  meu primo de 1 ano, logo três bancos a frente. Ela o segurava com calor e firmeza. Ele segurava uma "Peppa"e um "George" com firmeza. Em seguida ele a fitou com aqueles olhinhos de amor. E por um momento eu imaginei ver cristais brilhando. Ela fez cosquinhas. E ele morreu de rir e depois a abraçou. E assim ficaram por um bom tempo. Um olhar. Uma mordida. Um sorriso. Um afago. A sequência se repetia... Vi Deus. Ele estava bem ali, naquela homilia vívida e pura das crianças. Ali, Ele ensinou o Evangelho. Era …

Em guerra.

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Talvez todas as minhas postagens na Internet sejam uma tentativa frustrada de dizer: "olha! Tô aqui, viu!" Não me esquece. Porque você não sai da minha cabeça nenhum dia sequer. E a todo momento, silencio minha voz, que quer gritar seu nome e não deve. Emudeço a mão. Calo o coração. Travo as palavras na língua. Vou vivendo só com dez porcento de mim. 
Descubro, enfim: Minha alma virou território para uma guerra fria, que se passa sem alardes externos, mas derruba aviões, lança mísseis, destrói habitats, trava luta corporal e compete armamentos no interior. Nesse conflito, o confronto se dá entre o ego e a consciência. E ainda assim, mesmo sendo você só um expectador disso tudo, o muro de Berlim parece nos dividir Alemanhas. Tão concreto e tijolo esse afastamento, que nem sei... Será que do lado de lá você pode me ouvir? Pois eu te ouço daqui. Metade de mim, sente sua presença interior. Outra metade também. Mas ainda paira em dúvida sobre tudo isso. Afinal devaneios e intuiç…

O lançamento do meu primeiro livro

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No dia seguinte, eu só conseguia chorar. Estava transbordando e não sabia. Era como se minha alma precisasse extravasar toda a emoção vivida na noite anterior, de forma tão inteira, completa, plena. Tão cheia de Deus. Havia vivido um sonho. Ou sonhava que estava vivendo. Nem sei. Não precisamos saber de tudo o tempo todo. Na verdade, nem se quiséssemos conseguiríamos. Ali, era o momento de sentir. Fluir. Até flutuar. Meu coração já começou a dar solavancos quando estacionei o carro no shopping, peguei a cesta com as lembrancinhas e subi para a Livraria. O passo, curiosamente, estava em consonância com as batidas no meu peito. Cheguei, encontrei um amigo que veio me ajudar na organização e entramos.
A sensação, do começo ao fim, era de anestesia. Talvez Deus tenha trabalhado uma serenidade dentro de mim imprescindível para não explodir, não desmaiar, não dar um infarto, não ir da linha da felicidade para a tragédia. Meus olhos marejados de lágrimas internas só conseguiam brilhar com …

Desabafo Eleitoral

Quis ser apartidária. Afinal ninguém é tão Deus a ponto de merecer adoração política. Vota-se com a consciência que lhe é agradável. Todo mundo com suas razões, ninguém certo por completo. Mas muitas coisas tem me chateado nesse processo eleitoral. Olha que não sou "ningas" para falar nada. Mas vale o desabafo. 
Primeiro, e antes de qualquer coisa, lembre-se: a sociedade sempre terá problemas. Nada nesse mundo consegue atingir a perfeição divina. Somos todos homens. Então, não pense que da noite para o dia seu candidato escolhido DEVE conseguir, como num passe de mágica, melhorar as emergências dos hospitais, acabar com a violência e deixar o trânsito lindo. Sempre haverá pessoas doentes e hospitais particulares também lotam pronto socorro. A violência gratuita vem do ser humano (ainda que a constatação seja triste). Rivais de gangues continuarão se matando. Casais sem Deus podem ainda perpetuar brigas dentro de casa. E as pessoas vão continuar comprando carros. 
Segundo, não …

Fel

É quando a vida desce seca que a garganta fecha.
Engasga. Arde e fere.  É quando crua e nua, a vida parece muro só no reboco.  Faltou o primor.  Se ausentou a esperança.  Calou-se a leveza de ser.  É a dança das bigornas.  Vence quem tem o ombro mais potente para carregar o peso da cruz.  A cruz.  É quando o foco recai só na cruz  e nada mais que o mundo (des)pinta em cinza.  E a raiva macula o coração.  Com...o a dor de um estilete afiado contra a pele.  No cenário preto e branco, o vermelho do sangue que escorre torna-se torpor da solidão de Deus.  O mundo é deserto e só.  E dobra o peso da cruz quando há negação da estrada.  A visão não vê.  Os pés vacilam.  Os olhos vibram indignação.  Reticências.  É preciso ser reticente, então.  Para que, na desordem da alma, sobretudo, se enxerga a luz. 
E as coisas começam a se abrir novamente ao que colore e clareia. 
É o movimento cíclico do estar imbuído/significado/envolvido/integrado humanamente falando no ser e estar no mundo. A etern…

Feliz Aniversário, Pai!

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Pai, 

Eram seis horas da tarde. Eu estava presa em um engarrafamento na saída do Setor Bancário Norte. Começou a tocar "Wish you were here" no cd player. Estava ouvindo a seleção de músicas do seu pen drive. Na mesma hora o pôr do sol saltou em meus olhos e percebi o ir e vir dos trabalhadores cansados. Me toquei que estava em Brasília. Comecei a chorar. Não foi de tristeza. Era uma saudade meio melancólica. Anos atrás, era você ali no meio daquelas pessoas. E eu, em casa ansiosa esperando seu retorno. Hoje me vi seguindo seus passos. E pensei no seu cansaço. Envelhecer tem dessas coisas. A gente começa a se colocar no lugar do outro... Você enfrentava trânsito ou ônibus cheio e chegava em casa sempre disposto a brincar. Você sempre foi um super pai. E embora recentemente tenha escrito um texto pra você, 5 de setembro é seu aniversário e acordei com o despertador dessas reminiscências. Só quero te dizer que, hoje, tendo uma idade capaz de olhar a nossa relação de pai e filha …

... pensando?

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Facebook: "No que você está pensando?"

Naquele dia. Em que os nossos olhos se cruzaram e o sorriso foi meio de lado. Depois nas conversas bobas que se seguiram minutos a fio. E na música que tocava no celular. Também no momento em que nos despedimos com gosto de quero mais. (Apagado)

Facebook: "No que você está pensando?"

Na ligação de duas semanas atrás. E na saudade que estou do que vivemos e do que imagino que vamos viver. Tô pensando em como quase bati o carro um dia desses devaneando enquanto a nossa música tocava no cd player... (Apagado)

Facebook: "No que você está pensando?"

Em como é difícil os relacionamentos hoje em dia. Nos desencontros da vida. E nas peças que o destino prega. Tô pensando no seu nome. Na música da Ana Carolina "Eu só quero saber em qual rua Minha vida vai encostar na tua". (Apagado)

Facebook: "No que você está pensando?"

Em você. (Apagado - depois de cinco minutos)

Facebook: "No que você está pensando?&qu…

Que garantia.

- São três anos de garantia estendida. E eu acho que vale demais. Você vai ter direito a manutenção gratuita e outro computador se o seu estragar até 2017...
Três anos. Parei aí. Meu Deus do céu. O que será de mim daqui três anos! O fim do ano já é um mistério. Quem dirá três anos! Na verdade amanhã eu prevejo o cotidiano mas tudo pode mudar. O que eu posso ser nesse futuro?
- ...2017. E não é porque eu sou vendedor, seu nome? Ah! Nathália. Não é porque eu sou vendedor, não. Mas dessa vez vale a pena. Imagina quanto você vai gastar se a placa mãe queimar? Só trazer na loja para troca no valor do produto...
Mas eu posso estar morando na Europa. Mas a minha mãe pode trazer se estragar. E se eu estiver grávida? Mas aí vou estar casada também. Pelo menos fico em Brasília. Dou um jeito do João trazer se tiver de gêmeos. Caramba. A barriga vai estar enorme. E minha bunda... credo. Mas preciso arranjar um namorado antes de tudo. João só pode se ele não tiver dançando no dia. Ou trabalhando. Ou …

Sobre o mar...

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O mar desconstroi a gente. Leva embora as máscaras. Te constrange ao encarar a si mesmo, desnudo, sem apetrechos, sem maquiagem, em total vulnerabilidade. Te derruba. Passa a perna. Te engana. Ao mesmo tempo acaricia, limpa, hidrata a alma desidratando o corpo. Te faz lembrar da corda bamba da vida. E te joga de um lado para o outro. Sem cessar. Vai e volta. Ameniza. Revolta. Lava ao mesmo tempo que suja. Te oferece o horizonte. Te oferece a verdade de si mesmo. Balança os miolos e os reorganiza. De uma maneira leve e profunda. É contrários. Como a gente. Ah, o mar!

(Escrito em novembro de 2013)

Ao meu pai...

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Meu pai nunca teve tanto dinheiro. Não foi um mega empresário ou teve uma profissão digna do "tão bem sucedido" (aos olhos superficiais da sociedade). Ao contrário. Ele sempre foi lutador. Não dos ringues. Mas da vida mesmo. Caiu e levantou mil vezes. E sei que vai continuar fazendo isso até o fim de seus dias. Nunca nos presenteou com roupas e brinquedos caros, inclusive nunca os teve também. O nosso maior presente sempre foi esse olhar. Carregado de amor e lágrimas que revelam sua alma de sonhador. 
Meu pai tem nos ensinado as coisas de dentro. E desde a infância foi assim. O cuidado era revelado cotidianamente, na brincadeira compartilhada, nos risos soltos, nas conversas sérias, nos filmes assistidos, na música significada, na aproximação com Deus. "Minha filha, não esquece de rezar à Santa Bárbara." "Nathália, mentaliza flores no caminho." "Filha, esquece a raiva. Ela pode afastar seu anjo da guarda." "Nathália, a ansiedade é a ausênc…

Você smart.

E essa obsessão por tudo que é smart? E os mini infartos na hora em que se percebe que a bateria do celular está acabando? Carregador não é mais acessório. É artigo obrigatório nas mochilas e bolsas. Cabo usb também. E essa disponibilidade de estar 24h online? Online em todos os aplicativos de mensagem instantânea. O que é ser online, mesmo? Tira-se uma foto e o compartilhamento é imediato. E as mil atualizações da página para ver quantas curtidas se recebeu é de surtar os parafusos. Sem contar a agonia para a comunicação ser finalizada. O tempo de espera entre a última visualização e a resposta. Aff!!! E o trajeto dirigindo sem largar o celular!? Loucura! Daí pergunto a mim mesma. Onde quero viver minha vida? Fora ou dentro? Como fazer esse equilíbrio!? Quanta besteira essa vaidade nossa de ser vitrine nas redes sociais. Embora elas ainda tenham seu valor, é preciso cautela. Afinal, quando se deu conta, fala-se mais com o whatsapp do que com quem é palpável. E a agonia e ansiedade to…

Da noite da FLIP 2014

Gordinha de vestido vermelho dando um show de samba na praça. "Ela pirou de vez, tá pensando que eu sou seu cavalinho." Cantou o músico animado. Ela nem se importou. Copinho de cerveja na mão. Desceu e subiu do chão tal qual uma adolescente com as pernas flexíveis. Frio não sentia. De longe, um gringo a observava. O semblante era de quem não entendia porra nenhuma da letra, mas estava curtindo a algazarra em frente à Igreja Matriz. Inclusive, rente aos muros sagrados, enfileiradas se encontravam as barraquinhas de coqueteis. Jovens e velhos de todos os tipos e modelos saíam carregando copos coloridos de álcool. Um pouco atrás, que rapaz lindo aparentou de costas. "Olha aquele ali de barba e careca!" Virou. Realmente lindo! Mas jogava no nosso time. Com um decote cavado daquela regata, não rolava. Nessa hora a sambista oficial deu performance. Empolguei e dancei junto. O gringo voltou os olhos pra mim. Assustado ou admirado, não sei. Foi engraçado. Caímos na gargalh…

Teto de vidro

Atire a primeira pedra quem nunca se sentiu patético, perdido, esquisito, bobo e pequeno diante de certas momentos da vida. Atire a pedra, só se você é daquele supra-humano mega-perfeito sem-defeito ou problema-existencial de vitrine, que sempre tem dinheiro, anda com as contas pagas, não tem conflitos, um super emprego, o melhor relacionamento de todos e, claro, corpo, pele, cabelos, unhas sempre bem feitas; inteligência, humor, temperamento equilibrado 24 horas dia. Mas pensando bem, provavelmente você não terá uma pedra no caminho para atirar. Afinal você é da ordem do ideal, quase um protótipo de ser humano blaster-evoluído. Só me pergunto porque você ainda está na Terra! De todo modo, é melhor não atirar pedras. Nem os evoluídos, nem os normais. Os primeiros porque não existem; os segundos, porque passam todos, de um modo ou de outro, por dores na vida. Sejam da ordem que for. E quem se deixa, com coragem, sentir essa dor, não consegue olhar o outro por cima, nem tem forças para …

Para Neymar e David Luiz

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Meninos,
De repente a gente se vê sentindo afeto e apreço por quem conhecemos somente a representação. E as redes sociais acabam por aproximar e reunir mundos tão diferentes, dando a esperança de algum dia poder tornar o encontro palpável. Mas ainda que isso não fosse possível, restaria sobretudo o "gostar" desinteressado pelo desconhecido (que dizemos conhecer muito bem). Por isso hoje escrevo para a nossa seleção canarinho. Principalmente para vocês dois, Neymar Jr. e David Luiz.
O menino de ouro, humano que é, acabou lesionando forçosamente (culpa do colombiano) a vértebra e está fora da Copa. Imagino que a dor e frustração de não continuar no mundial seja maior que a dor física. E ele nesse momento deve sofrer. Saiba no entanto que  você teve um livramento. Digo isso crendo que Deus te poupou de uma porrada maior. E te afastou dois jogos para que pudesse jogar mais duas copas. E as coisas ficarão bem, Neymar! Você deu mais um motivo para seus companheiros partirem com …

Do intangível.

Existe sempre algo mais quando dois corações se amam em verdade,  e aqui me refiro a todos os tipos de amor. Existe um olhar que salta e paira no ar quando os olhos conseguem enxergar a alma que habita o corpo. São as entrelinhas entre duas pessoas.É aquilo que há, mas só se pode sentir,  sem pegar, sem ver. Quando o sentimento tem raiz profunda,  uma fonte magnética faz com que a troca de energia permaneça em uma constância, à medida que ambos possam ficar envoltos dessa força geradora de tudo que torna a relação sagrada e duradoura. Pode ser uma viagem tudo isso, em tempos de superficialidade,  mas ainda é possível acreditar naquilo em que meus olhos insistem em não ver, minha boca teme em falar, mas o coração intui haver. Talvez seja por isso que o abraço, o carinho, o beijo, o zelo, a intimidade significada  sejam capazes de tantos milagres...  porque tudo materializa o intangível.  Por isso ainda vale insistir no amor. Vale. Por isso ainda vale crer em Deus. Por isso ainda vale q…

Tardes de domingo

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Taguatinga, tarde de domingo.
Sob a sombra de um frondoso pé de graviola, o pequeno Guilherme, 1 ano, brinca de recolher as sementes das frutas que caíram no chão. Pega carocinho por carocinho e os coloca dentro da pá. Em seguida, se diverte com os gravetos batendo-os na calçada, dança e inventa músicas. Para. E pede colo para observar de perto o passarinho no fio do poste, na casa do vizinho ao lado, cantando seu piar sincero. Depois olha para o céu e procura a "Lulu", a lua, que já aponta no horizonte com o entardecer. Ele esqueceu o tablet e os celulares que tanto ama naquela tarde. Trocou-os pela simplicidade da natureza. Formosa, tarde de domingo.
Julinha, 2 anos, está afoita correndo de um lado para outro, no terreiro limpo e capinado. Os pezinhos sentem a terra. As mãozinhas também estão sujas, porque, segundo ela, "está fazendo sal da terra para cozinhar." Daí, enche o vestido com pedrinhas de todos os tamanhos. E as coloca nos buraquinhos do muro, perto d…

Desejos imperativos

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Não segregue, agregue! 
Ao invés de gritos, cochichos! 
Mais ouvido, menos umbigo! 
Desacelere, espere! 
Não brigue; inspire, respire! 
Não ao semblante fechado, sim sorriso escancarado! 
Menos isolamento, mais convivência. 
Abra o coração para experiências! 
Sem estupidez, seja cortês! 
Espalhe amor, acabe com o horror, por favor! 
Pratique o bem sem olhar a quem! 
Não inveje, valorize-se. 
Desarma, acalma! 
Nas horas de incêndio, silêncio. 
Sem preguiça; trabalhe, solidariedade espalhe! 
Tristeza? Ajoelha! 
Queira a vida para que a vida te queira!

Ao dia do Trabalhador [atrasado]

Acordo. E no espelho estampadas estão as esperanças das 24 horas que seguem. As tarefas cumpridas e a cumprir. As preguiças. As imperfeições do humano. As inspirações do interior divino. Segue o tempo de trabalho entre o amanhecer e o anoitecer. O dia é feito de superações. Em todos os âmbitos. O elogio que emiti. O chão que varri. O cachorrinho que cuidei. A comida preparada para a família. A ligação que tive coragem fazer. O "oi" para o vizinho até então desconhecido. A prece cumprida. A constante conversa com Deus. O trajeto de casa ao trabalho conseguindo controlar o estresse do trânsito. A vitamina D que enfim foi reposta no corpo com o sol da manhã. O grito que não saiu. A tolerância exercida. A mão amiga a quem precisa. Um texto que foi materializado no papel. As páginas de um livro lidas. Meia hora de estudo. A vida é feita em suas relatividades. Vence aos poucos quem superou a si mesmo a cada pequeno detalhe do dia, sendo esse ou não fruto ou parte de um projeto ma…

54 anos de capital do quadradinho

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Brasília, cidade onde Deus quis que nascesse, vou te confessar, já pensei em te largar.  Ainda penso de vez em quando. Mas não é uma deserção raivosa. É saudosa. Igual filho que cria asas e sai de casa. E depois volta para o ninho. Por enquanto, os planos ficam no coração, dividindo espaço com o amor ao seu mar de céu, sua beleza arquitetônica, sua graça em fazer amigos e retribuir oportunidades para quem sabe agarrar. 
Fica ainda compartilhada a minha gratidão por tudo que tenho vivido aqui e ainda viverei, pois é fato, por vezes nossa alma se atrasa, e sente saudade do que não viveu, ou se adianta e caminha na frente do corpo. 
Trago ainda a alegria de suas auroras e crepúsculos dentro e fora de mim. 
O prazer das noites de sono. A graça dos risos gratuitos. Os amores em movimento. A infância e os livros. A adolescência e os sonhos. O início da maturidade e o trabalho. As notícias. O calor. As chuvas intermináveis. 
Embora tenha trazido tristezas, minha família te acolheu, vive e é feli…

Sexta da Paixão.

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Jesus foi corajoso e forte, de uma resiliência e resignação sem tamanho. Lá no fundo talvez temesse, (como agoniou e pediu ao Pai que afastasse o cálice), mas foi em frente. Aguentou até o fim. Passou por entre pedras e espinhos. Caminhou ao calvário. Seguiu calado. Sofreu amando, e por isso deixou-se viver toda a paixão. Jesus não fugiu. Jesus não lutou contra o desconhecido. 

Jesus, mesmo sendo Deus (meu Deus!), preferiu cumprir a missão de se dilacerar em vida. Jesus não vociferou contra o Pai, nem tampouco extinguiu em seu coração a existência Dele. Não foi por causa da dor que Cristo usou da violência. Trovejou em Jesus. A tempestade durou horas de tortura. Um milhão de feridas e chagas abertas. Foi Humilhado por parte de quem é intoxicado pela podridão de emoções mesquinhas. Jesus esgotou o tempo fechado em si e esperou as nuvens se abrirem e, ainda todo acabado, acolheu o irmão na cruz. O machucado de Cristo sangrou de verdade, dentro e fora. E Ele viveu esse tempo. VIVEU. 

Até v…

Devir.

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Uma travessia.
Um caminho. 
Uma estrada. 
Passos constantes. 
Pequenos, grandes. 
Uma passagem... 
incessante. 
Um emaranhado de pedras e flores. 
Abismos, 
montanhas, 
escuridão 
... e luz. 
Dores e amores. 
Sofrimentos de tristeza e de alegria. 
Uma trajetória eterna. 
Infinita. 
Além do horizonte.
Dada aos mistérios. 
A continuidade. 
As esperas e esperanças. 
A fé na esquina. 
Os sabores. 
Os desgostos. 
Os orgulhos. 
Das lembranças e esquecimentos. 
Das feridas abertas 
e depois curadas. 
Da nova ferida. 
Da nova cura. 
Quedas. 
Vitórias. 
Um movimento. 
Tudo, um sopro. 
VIDA.
Vida. 
Vida...

Crespúsculo

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O cair da tarde é como redenção. 
Traz alívio ao peito e trabalha o calor no espírito.
 É como se Deus descesse e se instalasse ao nosso lado e dissesse: 
"Filho, vim observar contigo essa luz." 
Tenho pra mim que esse brilho meio amarelado - o laranja que mancha o céu de tal forma e colore desenhos - é o próprio Deus trazendo a serenidade pra terra. 
Se parássemos por um minuto para observar esse momento, o final do dia seguiria mais feliz. 
É poesia pura.