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Mostrando postagens de Janeiro, 2012

Espetinho de coração

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No churrasco.
   - Tio Dani, esse palitinho de carne tá pronto? - pergunta Bianca de quatro anos, apontando para a churrasqueira fumegante. Na grade, um espetinho de coração cora.
   - Tá sim, Bia. Você quer? O tio viu que você pegou os outros dois que estavam aqui.
   - Eu não quero não. Quem quer é o cachorro. Ele comeu aqueles dois. Eu dei pra ele!

Ir para a escola

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Esse ano, meu priminho Lucas de três anos começou a estudar. Esperto, sempre gostou de brincar com as letras e questionava os pais, que são professores, sobre sons e sílabas. Decorou a letra de início dos nomes da família e sabia digitar "Lucas" no computador. Ainda assim, minha tia ficou preocupada com sua ida para o colégio. Claro, como qualquer criança normal, ele poderia estranhar. Decidiu, então, conversar e tranquilizá-lo:       - Lucas, você vai pra escola e lá vai ser bem legal! Você vai brincar com os coleguinhas, vai pro parque, jogar bola!       - E quando é que eu vou escrever, mamãe? 

Brincadeira de roda

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(...) Infância, juventude e maturidade
Ao som da viola,
Brincadeiras de roda,
Os pais ensinaram a tal da dignidade
Um lápis bem apontado
Um par de sapato ajeitado
Um caderno encapado
Um lanche arrumado
Estuda menino danado!
Pro futuro estar preparado!
(...)

Feridas e eu.

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Feridas não curam do dia para a noite, apesar de secar um pouco a cada manhã. Vai fechando com processo lento e natural, como algo orgânico. Às vezes, demora mais se tirarmos a casquinha. Mas daí a culpa não é do machucado. É nossa. Quem mexeu quis remoer. Mexeu porque queria que sangrasse. E se sangra, reabre, doi, sofre. Tem gente que sente prazer em masoquismo. Ama adiar uma cura. Acho que todos passamos por isso. Um dia se aprende, como tudo na vida. Enquanto não, continuamos tentando achar quem somos o culpado das nossas dores. Coitado de Deus! É Ele quem vai ouvir as lamentações.  

Desabafo.

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Porra! Já tenho quinze anos. Será que elas não entendem? Eu já sei o que eu quero, já cresci, tenho meu estilo e gostos. Não preciso ser acordado, não quero carinho. Carinho de família é coisa de maricas, criança. E eu já passei dessa idade. Beijinho pra lá, beijinho pra cá. Quê que isso, Meu Deus! Nem, vamos parar com essa melação. Abraço e aconchego só se for dos braços de uma menina, deusa e linda. Ai, que saco! Caramba. Pára de gritar!! Chatas, chatas, chatas. Quem aguenta esse clima dentro de casa? Um milhão de perguntas sem fim. Sei me CUIDAR! Aliás, pra quê mesmo que servem os pais e os irmãos? Pra encher o saco e desconfiar de tudo. Caralho! Paciência. Não vou arrumar o quarto, não vou ser um nerdzinho na escola. Vou passar e pronto. O certo é passar, não é? Não bebo, não fumo, não uso droga. Mas a minha mãe continua dando os mesmo conselhos de sempre. Eu já ouvi. Minha irmã, acha que tem direito só porque virou a tal da madrinha de Crisma. É mole? Besteira... Não... né não. É…