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Mostrando postagens de Abril, 2016

Perseguição Policial

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Era meio dia. O jornal abriu com uma perseguição policial na Avenida Hélio Prates. O cinegrafista estava super equipado. Uma go pro na cabeça dava a dimensão dos passos dos bandidos. A câmera na mão para fora da janela do carro mostrava o rosto dos fugitivos direitinho. A Transmissão por terra era via mochilink. Também pelo helicóptero. Uma equipe acompanhando por fora. De casa, um barraco apertado no Sol Nascente, eu assistia a tudo. Eram homens conhecidos da comunidade. De repente eles começam a atirar. Acertam o carro da polícia e o cinegrafista pega a imagem certeira. Vaza o áudio: "pqp!! Olha essa imagem. Peguei. Meu Deus do céu, que porra é essa?" O bandido permanece atirando. Agora na câmera. Tudo ao vivo. Eu vendo da TV. A imagem fecha porque provavelmente o equipamento parou de funcionar. Mas a central já gravou a cena, que fica repetindo em looping o "pqp!" para o telespectador. Imagino que a audiência está alta. De repente gritam na rua e me assusto. &q…

Casa dos Artistas

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- A eliminada de hoje é Nathália Coelho! Vem pra cá!
Apareço, descendo de um elevador. Uso pijamas de calça comprida, meias pretas e um scarpin. Seguro uma coruja de pelúcia nas mãos e uma mala.
- Oi, Nathália! Seja bem vinda novamente à vida real!
- Obrigada, Sílvio.
- Quais são seus planos?
- Ah, agora vou voltar pra Brasília. Focar no mestrado. Arranjar emprego.
- Não tem medo da fama!?
- Fama? Nada! Lá na capital só tem fama quem tem dinheiro. Fui eliminada, tô tranquila. - sorrio.
- Muito obrigada pela sua participação e boa sorte!
Saio de cena devagar. Vou descendo uma escada rolante até sumir. Mas corta a imagem. Lá embaixo, um suculento bolo de chocolate me aguarda. Volta Silvio Santos. Ele continua:
- Má oê! Esse foi mais uma noite de Casa dos Artistas! Tchau! Com Deus! Acordo. Rindo. Não era nem Big Brother. Mas "Casa dos artistas". Subconsciente muito maneiro, esse meu. Bom dia!

A vida ou o Jornalismo?

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Brasília tinha praia. Um litoral lindo, que margeava as casas do Lago Sul e Norte. Era fim da tarde e eu estava trabalhando. A redação, ampla e arejada com grandes janelas de vidro, davam direto para a Esplanada dos Ministérios. Correria normal, passa um rádio aqui, atende um telefone ali, discute uma pauta, digita, monitora sites. De repente, uma colega chega gritando, sem forças: "Alerta de Tsunami! Alerta de Tsunami! Deu na rádio escuta." Os rostos se apavoram. Correm todos para ver com seus próprios olhos. As ondas gigantes já se aproximam. O primeiro a ser engolido vai ser o Congresso Nacional. Mas vai chegar na gente. Coração acelera e paralisa as pernas. O que fazer, meu Deus? Instaura-se um ambiente de sofrimento e desespero. Cada um corre prum lado, tentando se salvar. Pego as minhas coisas. Ouço até o barulho da chave do carro entre meus dedos. Já estou chegando na porta de saída quando o meu chefe segura o meu braço e diz: - Você não vai. - Por que? - Porque precisam…