Postagens

Mostrando postagens de 2012

Do retrovisor.

Imagem
Do retrovisor eu vejo sonhos. Vejo rostos cansados de um dia inteiro de trabalho ou a alegria nos olhos de quem curte uma música no engarrafamento. Vejo um homem refletindo e olhando para o horizonte enquanto as cinzas e a fumaça do seu cigarro saem pela janela onde a mão esquerda está pendurada. 
Do retrovisor vejo óculos de sol variados, vejo maquiagens desgastadas e bocas vermelhas ou sem nenhuma cor. Vejo jovens na tenra idade e também senhores de barba branca. Vejo mulheres maduras conduzirem seus veículos sedan calmamente pela estrada, sem se preocupar com as buzinas, dedos ou xingamentos. Vejo semblantes carrancudos, assimétricos pela raiva da fila de carros parada. Vejo a impaciência. Vejo a agonia. 
Do retrovisor tenho a visão restrita ao olhar de outro alguém. Dos olhos devaneio sobre a vida que o espelho me refletiu. Ponho-me a querer desvendar aquela alma que está atrás de mim e me fez fitar-te. Vai carregada de preocupações e vitórias, de resignação e explosões de certo. Un…

Sobre namorados

Imagem
Conversávamos sobre possíveis namorados meus, Carol e eu.
- Prima, desencanei. Na hora que tiver de ser vai ser.
- Tia Tatá, faz assim. - entrou Bianca, 5 anos, na conversa.
- Como, Bia?
- Se você não arranja um namorado, desiste só nessa hora. Mas se ele aparecer, você desiste de desistir. 

Oração.

Imagem
Que meus olhos não percam a esperança ao olhar para o céu, mesmo que esse esteja nublado. Que eu não perca o ânimo de pintar meus lábios de vermelho, e que deles saiam sempre palavras doces, mas firmes de quem tenta coordenar a desordem de ser a si como é, sem máscaras. Que eu não perca a alegria de levantar todas as manhãs e acreditar que posso mais, se deixar Deus ser mais do que qualquer coisa em minha vida. Que meus braços lutem no cotidiano do trabalho, que minhas pernas não se cansem de caminhar. Que eu me vista de cores, num mundo cinza.  Cores. (...)

Divagações e o piquenique

Imagem
Em busca da simplicidade da vida. Da tranquilidade trazida pela brisa; do despojamento das coisas materiais. Em busca da essência divina, da música que inspira da verdadeira companhia. Em busca do desejo que acende da natureza que desprende aquilo que é superficial. Em busca de preencher vazios nadar nos rios que correm dentro de mim. Em busca do menos que soma felicidade e leveza de ser Em busca da gratuidade do sol do canto das cigarras do varal a secar o branco lençol. Quero o cheiro da dama da noite as estrelas e o céu de fazenda inundando à leves penas essa minha pequenez Em busca da ausência de verdades dos piqueniques compartilhados das paisagens da parede de quadros pintados à mão. Em busca de encontro com Deus do encontro com Deus. De Deus. e nada mais.

O conto dos 60 anos

Imagem
Era uma vez a história de uma jovem moça de Monte Carmelo que se casou aos 16 anos com o apessoado moço da mesma cidade, que tinha 19, há sessenta anos. Ela, bonita, caçula de uma família de oito irmãos, chama Maria, assim como a mãe de nosso Senhor. Ele, rapaz de posses e mesmo tão novo dono de terras mineiras, chama João, assim como o primo de Jesus. João e Maria. Não saíram do conto de fadas recheado de casa de doces, bruxas e florestas. Mas eram João e Maria, um casal, enlaçado pela lei de Deus e pela lei dos homens, no pacato interior sul mineiro, numa época em que casar era uma instituição valorizada e respeitada. Fazer família era coisa séria, e também feliz, por assim dizer. 
De João e Maria nasceram os sobrenomes Coelho de Sousa, de Sousa Coelho, só Coelho ou Rezende. Variava e dependia. Todos foram distribuídos pelas oito crianças nascidas da luz de Maria: Junice, Juscélia, Jussara, Jussana, Juliana, Sebastião César, Sandro Roberto e Jaqueline, a mais novinha. Os sete primeir…

Guerra fria contemporânea

Imagem
Que poder é esse tem você de mexer de tal maneira com o meu equilíbrio, ao demonstrar-se tão desequilibrado para com a vida? Eu deveria seguir meu caminho sem pestanejar já que tenho em minhas mãos a chave para a liberdade: o amor. Posso dá-la a quem eu quiser. Posso eu mesma abrir portas e janelas por aí sem necessitar de um apoio externo. Mas ao pensar que a fechadura de seu ser não se destrancou ao receber minha chave, desabo dentro de mim. Uma mancha roxa proveniente de um soco cresce no peito tal qual uma patologia desconhecida. É preciso se aquietar e ir para longe de tudo que possa me lembrar você. 
O hematoma, contudo, persiste em enraizar-se unindo-se as entranhas da inquietação mental. O pensamento não para e precisa encontrar uma resposta para o dilema: Por que raios pessoas como você agridem tanto o seu oposto? Silenciosamente. Sem pronunciar uma palavra. Ignorando e alastrando indiferença para a possível ameaça do reino do senhor sozinho. Por quais motivos a clausura alhei…

Dúvida de significado

Imagem
- Martina, filha, você pode chamar o papai para tomar banho? - disse Marcela à pequena de 3 anos numa noite dessas.Com toda a força que tem em seus pulmõezinhos de criança, gritou:- Paaaaaaaai, tomar banho!! - parou de repente. Cochichou sozinha. - que coisa esquisita, tomar banho, por que não é lavar o corpo? Tinha que ser lavar o corpo. A mãe não acreditou. - O que é filha? Que você disse? - É mãe! Por que a gente fala tomar banho? Tem que ser lavar o corpo, esse é o certo! Tomar banho, tomar banho. Lavar o corpo é melhor, você não concorda? Risos.

sobre o foco da alma

Imagem
Há dias que ficamos assim, como essa imagem: tremida. Sem luz suficiente ou base sólida para marcar o simulacro digital do filme fotográfico. Trememos por dentro, misturamos sentimentos, jogamos tudo pra cima esperando que nada caia sobre nossa cabeça. Coração aperta sem motivos aparentes. Sufoca com a ausência da coragem nossa e alheia diante da vida. Padece só de pensar nas fugas dos relacionamentos, da falta de maturidade no aprofundamento das relações humanas. Como o instante que materializou o momento, ficamos parados no tempo, esperando que algo novo aconteça sem sair do sofá. É que às vezes essa história de viver em crescente velocidade gera uma reação adversa de querer parar o tempo. E quando cessamos, tudo que é pesado do mundo recai sobre os nossos ombros e ludibria os sentidos, deixando a gente assim: sem foco, borrada, rabiscada por dentro. 

Fragmentos de texto - A bailarina

Imagem
A plateia aguardava ansiosamente a chegada das bailarinas no palco. De repente, elas entraram de mãos dadas. Três meninas de três e quatro anos vestidas de amarelo e bolinhas vermelhas. Uma garota com seus dez anos cuidava de todas as florzinhas, fazendo-as não perder o ritmo e guiando os passinhos. No alto da cabeça um coque, meias-calças e uma saia armada. Vieram na ponta do pé, dançando de forma elegante para uma criança. No rosto, um sorriso que não se continha. A música alegre do grupo Palavra Cantada tirava também risos e aplausos dos espectadores. Um clima amável tomou conta do auditório e a emoção falava mais alto. Na primeira fila, estava a mãe de uma delas. Sorria ao ver a filha saltitando no palco. O pai do lado fotografava todos os passos freneticamente. 
  Elas corriam na ponta dos pés numa elegância de dar inveja. O ritmo da música proporcionava leveza à apresentação. Pareciam se divertir. Num rodopio, a filha avistou a mãe bem na frente. De súbito parou mesmo com a mú…

A sala de vidro da chácara

Imagem
De lá de dentro, via-se a mistura de tons de verde da Chácara. Observavam-se também as duas piscinas, o extenso milharal, o pomar atrás da Capelinha de Nossa Senhora Consolata, cuja proprietária, minha tia Junice, era devota. No canto esquerdo, um pequeno jardim cercado folhas amareladas e a ducha de onde caía a água com poder de lavar a alma e restabelecer as energias. Os meus olhos de criança enxergavam tudo em lentes de miopia. Eu não sabia como e nem podia entender, mas aquele cenário representava uma profunda paz de espírito.
    Tudo era visto em reflexo da sala de vidro. Um espaço amplo, decorado com móveis rústicos e almofadas floridas em cores quentes. Nas paredes, quadros vivos de xaxim com flores vermelhas. As árvores davam uma sombra boa. E tudo era festa de criança. Alegria à toa. O pé de mamonas virava fábrica bélica para brincadeiras entre os primos. A mamona-bala voava para todos os cantos. Se corríamos para perto da casa do caseiro, deitávamos de propósito de lama…

Sobre estar pronto.

Imagem
Sim, temos um ponto. Um ponto de amadurecimento, igual fruta quando cai da árvore. Acabo de crer que atingimos esse ponto no momento em que Deus nos permite caminhar ao lado de outra pessoa, a fim de construir uma família. E isso deve acontecer naturalmente, como o bebê aprender a engatinhar, em seguida caminhar, falar e assim por diante. Ou, continuando com a primeira analogia, a semente ser plantada, virar mudinha,  crescer árvore frondosa, ter flores e frutos. As coisas devem fluir, e, se fluiu, era porque tinha de ser. Dar certo não significa que a estrada será isenta de problemas, pelo contrário. É por isso que serve o ponto. Para lidar com as adversidades sem invadir a individualidade do companheiro e feri-lo por dentro. 
Contudo a nossa humanidade e afastamento do equilíbrio divino faz com que nos precipitemos, levados pelo afã do envolvimento da paixão, à construção de famílias forçadas. Não digo somente com a chegada de uma criança (o que é importante demais, talvez o estágio …

Aprender e ensinar

A mãe dizia que ele era criança de ficar em casa, não de ir à escola. Mas Josivaldo se imaginava dentro de uma poça de giz de cera... Texto de Nathália Coelho, publicado na edição de agosto da Revista Meiaum. Eram seis da manhã. A luz do sol entrava pelas frestas do barraco de madeirite e pairava sobre o colchão onde cinco crianças dormiam. A mãe do rebento esquentava água no fogão. Café preparado com a borra de ontem, que servia para hoje. O barulho de pássaros, o ar morno e o brilho do dia acordaram o primogênito Josivaldo. Mesmo com olhos abertos, não conseguiu enxergar o barraco, a mãe, o café, os irmãos. Via apenas uma imensidão de branco e vultos. Acostumara-se. Há dez anos era assim, a cada ano um pouco mais. O menino, que morava no assentamento perto de Brazlândia, nasceu com catarata e pouco enxergava. Todo dia ouvia a mãe acordar os irmãos menores, alimentá-los quando havia algo para comer e caminhar 2 km até a BR para pegar o coletivo que os levava à esco - la. Josivaldo só i…

E se.

Imagem
E se ela fosse embora sem pensar em ninguém, haveria laços rompidos, destroçados em sentimentalidades. 
Mas se ela ficasse e a agonia crescesse, a tal ponto de sufocar e estafar, reprimindo desejos e anseios que o coração gostaria de sentir. Largaria vontades profundas e deixaria escorrer a rotina para dentro de seu ser.
Contudo se ela fosse, pensando em todos, principalmente em si? Fosse com a certeza de voltar um dia, mesmo que daqui muitos dias, poderia até sentir saudade... ( e a saudade apertaria o peito, certamente).
Porém se ela ficasse nem saberia o que é a saudade de estar longe cotidianamente. E não sairia da sua zona de conforto, nem experimentaria novas sensações de saber (sobre)viver longe de casa. 
Entretanto, se ela fosse, iria aos poucos, para não haver sofrimento desmedido (e é possível?). Iria dando passos pequenos, a fim de se acostumar com a ausência dos seus. E como partir se o amor é demasiadamente grande a ponto de explodir?
Todavia, se ficasse e resignasse, decidiri…

A garota e o mar

Imagem
As ondas vão e vem, vão e vem, vão e vem. Encantamento! Esse é o sentimento expresso nos olhos da garota! A imensidão azul fez a mulher de pele morena e cabelos encaracolados se apaixonar por aquela criação divina. 
- E tem gente que não acredita em Deus! - Reclama ela.
Com seu chapéu de praia, óculos escuros, brinco de frutinhas vermelhas, biquine floral e bermuda azul, ela vai 
AO encontro do mar. O problema é que ele foi DE encontro a ela. Água salgada, areia, mais água salgada e mais areia. Isso foi o que ela ingeriu pelo caldo que acabara de levar.
Risadas frenéticas soam de seu bonito amigo que a acompanhava.
As ondas vão e vem, vão e vem, vão e vem. A garota se afoga e respira, se afoga e respira, se afoga e respira.
Depois de se levantar com a ajuda de seu bom amigo, a garota diz: - O mar ainda levou meu brinco favorito.
Mais risadas ecoam do bem apessoado amigo e ela não aguenta e também ri da peça pregada pelo mar.

Autor desconhecido. (Lucas Madureira)

Relatos de uma viagem à Fortalez…

Sobre o sol e a terra do sol.

Imagem
Conheci um pedaço do paraíso. E espero que meus olhos se recordem dele por todo o resto de minha vida, ou até o observarem novamente algum dia. Talvez a junção do azul do céu com o mar não faça em você o que faz em mim. É encontro e abraço divino. É como um colo regozijante do próprio Jesus. A água vem, quebra na praia, leva tudo o que deve ser levado e limpa tudo outra vez. O próprio movimento é belo, e diz respeito - de fato - ao que devemos aplicar em nossas vidas. Lembrando sempre: o sol está ao fundo, explodindo em brilho e iluminando ao redor. É presenciar a perfeição de Deus, tal cena. Inexplicável sentimento de calmaria. A água salgada bate nas pedras, salpica os pés, os olhos fecham, mas a alma sente, te aproxima do céu. Sentamos na areia e ficamos encarando o horizonte. O próprio meio ambiente tranquiliza as inquietações do interior, causadas pela cidade. Basta olhar para aquele cenário e inflar o pulmão de esperança. Deixar-se lavar pelas águas e equilibrar as energias, rec…

Desfolhou.

Imagem
Veio o vento e desfolhou o caderno. Arrancou algumas páginas, amassou outras, virou-o de cabeça para baixo. Na verdade foi um furacão que devastou o caderno. Em seguida a chuva. Molhou as letras, diluiu a tinta vermelha, manchou os escritos. Alguns ficaram inelegíveis.  Outros davam para ler assim, de longe. Depois a ventania voltou. As folhas voaram, foram embora, desgrudaram da capa. O tempo acalmou, repentinamente. Aí que o dono pôde perceber o estrago. Pegou-o com cuidado. Aquilo que ainda restava. Doeu ver a sobra de uma história. Foi o abandono que fez perder-se pelas amarras do tempo e desastres naturais. Estava frágil. 

Reuniu tudo contra o peito. Fechou os olhos e os abriu rapidamente. Observou as coisas em seu colo. Costas apoiadas no muro. O céu se abria azul sobre si mesmo. Era hora de rever o caderno. Prometeu, antes de mais nada, cuidar dele. Ao longo das páginas manchadas, palavras saltavam em seus olhos fazendo-o reviver lembranças que ora aqueciam ora endureciam-lhe o …

Fragmentos

Imagem
O corpo dela se esvaía como água que passa pelo funil e acaba presa numa garrafa. Era como se a puxassem de si mesma, sugando feito os dementadores do Harry Potter a alma de seu corpo. Ela se sentia indo, embora ficasse e, no torpor da taça de vinho, não era capaz de compreender o que estava acontecendo. Ou melhor, sabia, mas negava. Os pés trocavam os passos e as lentes dos óculos repentinamente não serviam mais. Pelo contrário, atrapalhavam a visão turva de olhos caídos e inchados. Uma mistura de choro e álcool.    Não mais tinha controle sobre o vestido que, àquela altura da noite, já estava com as alças largas sobre os ombros e a barra suja do líquido ardente derramado no chão. Os amigos tornaram-se vultos e a luz cegava suas entranhas. Ouvia de longe vozes rindo e discutindo política. Bocas mastigavam os aperitivos esparramados sobre a mesa da cozinha. As mãos suavam e o riso falso não conseguia disfarçar a confusão mental causada pelas bebida de uvas e a vodca de mais cedo. A …

A bateria de Bianca

Imagem
Lá da cozinha, Tia Junice ouvia uma bateção incansável vinda da sala. Não entendeu nada e ainda se questionou se haveria chamado alguém para arrumar o armário, a estante ou o encanamento talvez. Mas não, não se recordava. Foi então que se aproximou e viu Bianca, sua sobrinha neta de quatro anos, sentada no chão. Em suas mãos, duas baquetas feitas com lápis coloridos. No piso, viradas para baixo, dois vasos de plantas em tamanhos diferentes, o suporte de bíblia entre eles. Um pouco mais a frente, um castiçal com uma vela. Bianca tinha feito seu próprio instrumento. E a cada batida diferente, encostava o ouvidinho no ar para sentir a vibração e os diferentes sons causados. - Bianca, seu pai tá te ensinando a tocar bateria? - Não, tia. Ele me ensina a tocar guitarra. Bateria eu já sei. - continuava batendo e ouvindo a melodia criada. - Ah, sim.  - Mas esse castiçal da tia, você pode guardar ali em cima? - Tia madrinha, essa vela não pode sair daí. Tá iluminando a partitura. 

Sobre o dia do escritor

Imagem
O escritor não procura as palavras. Elas vêm até ele. E quando chegam, se organizam de tal forma a criar um conjunto belo e feio de histórias, ensinamentos, efusão de sentimentalidades.  As palavras materializam as vivências humanas. O que foi escrito não pertence contudo ao escritor. Ele é apenas um meio para propagá-las. Elas são livres, ou melhor, são de todos. Basta lê-las para eternizá-las. Um escritor é feliz e triste por ser meio. Feliz porque consegue esgotar-se diante de um teclado, uma folha e canetas. Desabafa indiretamente, alivia tensões e realiza-se ao saber que muitos outros dividem suas dores e alegrias. É triste também quando se vê solitário. É triste porque é uma pessoa como outra qualquer. E está sujeito a julgamentos, perdas, fracassos, infelicidade, inconstâncias. Entretanto, das tristezas o escritor dá um jeito de criar e registrar as nuvens que pairam sobre ele. Registra tudo porque tem o olhar sensível à vida. Aos consagrados, aos que já morreram e ainda vivem …

O dia de amanhã

Imagem
Por que não sabemos o que acontecerá amanhã. Sabemos, ou melhor, intuímos coisas boas e cotidianas. Queremos a continuidade da rotina. Família salva, emprego vitalício, harmonia. Não imaginamos choro nem tão pouco tristeza. Afinal, é de nossa natureza o desejo de felicidade. Mas as coisas não são assim. Saber, saber, sabemos nada. De repente, a vida de uma pessoa muda em um segundo. O que era conforto vira instabilidade; o trabalho, ócio.  O amor, ódio. Dois viram um. E com as montanhas de sentimentos e vivências vamos adquirindo experiência para tornar-nos alguém inteiro e profundo, um pouco mais entendedor das coisas da vida. Pelo menos era pra ser assim. O fato é que todo esse processo de viver doi. E doi porque sabemos que estamos sujeitos a passar por tudo. Ainda mais quando se vive ao pé da letra, amando e sentindo, além do corpo as dores do nosso submundo. 
A reflexão e turbilhão de pensamentos me assolaram diante da morte do atleta David Conrado Meira, nessa madrugada, tão chei…

O ofício da Secretaria

Imagem
Enquanto isso na Escola:
- Nathália, hoje a escola recebeu uma denúncia contra a minha pessoa da Secretaria de Educação. Acredita?
- Mentira, mãe. Eu falei pra senhora parar de ser engraçadinha demais. 
- Pois é, chegou um ofício lá e a diretora me chamou na sala dela. Já fiquei pensativa no que seria. Uma mãe ligou na ouvidoria da Secretaria. No papel tava escrito assim: 'Gostaria de elogiar e agradecer o carinho e amor que professora Juliana do 1ª E trata os alunos.'
- Ah, mãe! Rsrs

(Março 2012)

Chute do Guilherme

Imagem
Tia Jaque chamou Laurinha, 3 anos, para passar a mão em sua barriga: - Vem, Laurinha, passar a mão no Guilherme. Ele tá dentro da barriga da tia. A pequena se aproximou, apoiou-se nas coxas e acariciou o barrigão da grávida.  - Olha, só. É o bebê que tá aqui dentro. Sente! Ele vai te chutar.  De repente, Laurinha tirou a mão, fez uma careta e falou com raiva: - Eu chuto ele primeiro, tia! Saiu correndo.