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Mostrando postagens de Março, 2012

Minha bico

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A afilhada da minha amiga Myrcia, chamada Giulia, ganhou um presente de mocinha: um belo batom. Mas, como só tem um ano e onze meses, teve que tirar a chupeta da boca.
- Segura a minha bico.- disse a madrinha.
- Minha bico não, Giulia, meu bico.
- É sua essa bico?
- E seu, mas você tá falando errado. É meu bico.
- Ah, é sua essa bico.
E pegou o batom e foi até o espelho se enfeitar.
A madrinha? Chorou de rir. 

Trivialidades

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Nathália Coelho
  O dia pediu trivialidades, mas não consegui vivê-las por conta da rotina. Foi densa, cansativa essa tarde. Não vi o nascer nem o por do sol. Nem cantei no chuveiro. Não conversei fiado com a minha vó enquanto assistíamos pela enésima vez o filme da sessão da tarde. Minhas avós nem estão aqui. E eu não estou lá, e nem lá. Essa tarde pedia pipoca e edredom, ou redes sociais sem hora pra sair. Quem sabe uma saída com a mãe para pagar uma conta ou comprar qualquer besteira? Um passeio no parque, o cheiro do café fresco e o pão de queijo quentinho sobre a mesa. E a mesa... forrada com um pano florido, como deve ser a vida. E da chuva, que tanto falei sobre, não senti o cheiro da terra molhada. Falei sobre ela de forma distante. Sem percebê-la.     É do senso comum que falo hoje. É do âmbito familiar que emergem as inquietações. Escrevo sobre os pequenos prazeres da vida que carecem de sentido. Devaneio pelo simples fato de viver em comunidade. Nessa tarde não vi meu pai…

"Nathalua"

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Como a lua, tem fases e brilho especial.  Cheia  de ideias, sorrisos, responsabilidade e suavidade. Nova, mas de espírito envelhecido, maduro, forte e transparente. Discreta, humilde e às vezes frágil como lua minguante, mas não menos encantadora e serena. Como a lua crescente, caminha a espera de uma nova fase, em que possa amar e ser amada por alguém que apenas saiba  apreciar a beleza e a cumplicidade da lua.
Poema escrito pela minha mãe. Juliana Coelho

A amiga poesia

Amiga das dores das horas incertas da desilusão e das expectativas Irmã do sol e do reflexo da luz do dia da escuridão da noite e da solidão se manifesta na alegria e mesmo calada fala chega a qualquer hora  às vezes demora, ou rapidinho vai embora mas sempre está presente na vida de quem a sente e sente profundamente e declara em meio à lágrimas e clareia a visão turva e desvenda os caminhos ou os deixa mais coloridos... é a poesia!
Poesia da vida.

A religião

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Em casa, Bianca, 4 anos, observa maravilhada a coleção de lápis de cor que a professora deu para fazer as tarefinhas. Entre um rabisco e outro, pega o rosa e comenta com a vovó:
    - Olha, vó. Essa cor é a azul.
    - Que isso, menina? Tá daltônica?
    - Não, sou católica mesmo.

O nome do coleguinha

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Na festa infantil, Bianca de 4 anos é apresentada para o seu amigo:
- Bia, esse é o Pablo. Ele tem dois aninhos.
- Eita, poxa! Pablo é nome de periquito!!
- Como assim, Bianca?
- É nome de periquito, Tia! Tem a história do periquito Pablo! Eita poxa, esse menino tem nome de periquito.

A luz e as pedras

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Sabia o que queria, mas não entendia porque não conseguia agir. Faltava coragem de enfrentar as manhãs tão ensolaradas, bonitas e sugestivas às cores da vida. Persistia em passar dormindo, na escuridão de um quarto, no macio de um edredom. E dormia de forma profunda, mas sempre antenada à realidade. Sonhava misturando as pendências do dia, e se perdia pelas estradas do imaginar, quando na verdade queria mesmo trilhar caminhos que chegavam à mudança. Parecia ter perdido o fio da meada que conduz e transpassa essa dificuldade dos obstáculos. E pedia com fé (acreditava ela) para que isso fosse modificado. E todas as noites prometia a si mesmo. E todas as manhãs falhava consigo mesmo. E as tardes eram de muito trabalho. E as horas anteriores de puro ócio. Até quando ia ficar assim? Não sabia. Tinha transformado a si mesmo em uma pedra no caminho. E enxergou mais pedras descritas por Drummond. Só as pedras. Mesmo crendo piamente na luz, que forçava a entrada pela fresta da varanda, e ela n…