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Mostrando postagens de Junho, 2013

Carta de amor

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Toda vez que vou escrever sobre você, as palavras me faltam. Ausentam-se porque você, com esse seu jeito humano de lembrar Deus, fez-nos transbordantes em sentimentos. Criou-nos de tal maneira a viver de fato, em profundidade. Deu sentido aos dias e, mais do que palavras e ensinamentos soltos, mostrou-nos com exemplos as coisas da vida. Você é um texto de motivação ambulante. Pronto. É isso.  As palavras são temerosas em serem levianas ou não conseguirem chegar aos seus pés. Não que elas estejam te "endeusando"... Mas sabe aquela sensação mista de medo e ansiedade da avaliação de um mestre diante de uma tarefa a ser executada? Então. É assim que as pobres palavras se sentem quando são incumbidas de se organizarem em uma bela homenagem à você. 
A princípio ficam quietas. Pensantes. Reticentes. Emocionadas. Saudosas de tantos momentos e recordações. Depois, começam a sair aos poucos, com frases isoladas de amor, carinho, gratidão, afeto e confirmação de suas qualidades e desejo…

Cheiros - Parte 3: Limpeza

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O dia continua como de costume. Um pouco de TV, outro de internet, um monte de preguiça no sofá. Daqui alguns minutos sei que vou ter que levantar para ajudar na arrumação da casa. O balde, cheio de água e um limpador que remete o cheiro a buquê de flores, aguarda ao lado da porta, para então ser espalhado sobre o taco de madeira.  No banheiro o aroma é de eucalipto, uma planta que nunca vi, mas sempre soube da existência. Limpeza. Ah! Essa palavrinha transcende para outros momentos de minha vida. Primeiro a pequena garota passeia pelas dependências da escola de freiras. Baldes grandes estão espalhados ao longo dos corredores. Escovões fazem desaparecer a sujeira dos sapatos. O líquido usado pelas moças da faxina parece leite, visto a consistência e a cor esbranquiçada.  Com alguns coleguinhas, me aproximo para ver. Sinto cheiro de bosque pós chuva, terra molhada... Ao centro do pátio, paro um momentinho para observar Nossa Senhora na fonte enfeitada de flores. A água salpica a imagem…

Das cores

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Foto: Lucas Madureira/ Praia de Lagoinha - CE
Quero vida em cores vivas dentro de mim.  Quero cores quentes pulsando meu coração. Quero tons saturados correndo em minhas veias.  Quero toda a energia dos pigmentos que saltam nos olhos vivacidade.  Quero cores de Matisse.  E enquanto houver aquarela em mim, conseguirei lidar com o cinza do mundo.  Colorir por aí, sem deixar que me desbotem.  Amém!

Chegada

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Te sinto chegar, como uma mulher que vai ser mãe sem descobrir ainda a gravidez. Te sinto próximo! Como uma semente que dá fruto após vento e chuva ajudarem o processo natural... Te sinto batendo aqui. Querendo encontrar lugar dentro de mim; Te sinto querendo que eu lhe habite também... Te sinto no caminho. Próximo de falar o 'oi' tímido, sorrir de bobagens e terminar em abraço e beijos longos. Te sinto sentindo esse pulsar descompassado, acelerando só de imaginar o encontro, esse momento simples e arrebatedor, que vai mudar nossas vidas para sempre. Te sinto.  E sentir já é o começo do fim da solidão.

Cheiros - Parte 2: Tangerina.

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Sobre a mesa do café, há também um suco de saquinho de tangerina em uma jarra, já pela metade. É cheiro de lancheira escolar. É lembrança vívida da infância. De repente, estou correndo num amplo corredor de uma escola com azulejos brancos. Devo ter no máximo seis aninhos de idade. Carrego em minhas mãos uma "cabeça de Mônica" e puxo uma mochila rosa de rodinhas. Muitas crianças correm ao me redor. Todas estão vestidas com o uniforme: shorts e saias verde escuro e camiseta bege com a logo do colégio. Meus cabelos são grandes e lisos, estão amarrados em rabo de cavalo. Cansada, paro de correr e começo a caminhar para a sala. No caminho observo, à minha esquerda, um parquinho acimentado com brinquedos de ferro coloridos. Dá vontade de recreio! Mas  é início da tarde, e, mesmo assim, estou contente porque adoro estudar.  Entro na sala e penduro minha "cabeça de Mônica" na arara de lancheiras. A professora tem cabelos encaracolados em tom loiro e um sorriso contagiante.…

Cheiros - Parte 1: café.

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Ainda durmo quando as recordações invadem a janela do quarto por meio do cheiro do café fresco. De repente estou encarando o mar, a brisa leve e salpicos de água salgada batendo nas rochas. Meu cabelo sendo balançado por esse vento leve. Ao fundo, um amanhecer em espetáculo se faz e eu me banho em luz e emoção. Caminho ao longo da orla da praia, e nem chegou às 7 horas da manhã. Tudo é vazio na rua. Somente pequenos pássaros, flores de jardim despertam aos poucos com a chegada do sol. Atravesso a rua e entro no saguão do hotel. O tempo muda. Executivos bem vestidos se misturam às moças e rapazes que apresentam um look de praia. Um frenesi nas primeiras horas da manhã. Subo no elevador e encontro meu amigo de viagem. O quarto está gelado do ar condicionado. Olho-me no espelho, troco de roupa, desligo a TV, dobramos as cobertas e saímos para tomar café.  O restaurante é amplo, bonito, cheio de vida. Há uma varanda coberta de flores e a vista é pro mar. O cheiro fresco do líquido preto é…

A joaninha no jardim

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Pequeno tal qual uma joaninha perdida em um jardim é o ser humano no mundo. Ínfimo e escasso poder diante de Deus. Uma nada diante do tudo. Uma criatura apenas. Que nasceu e vai morrer como veio. Sem nada. Que de tanto querer ser tanto, perdeu-se nos supérfulos do mundo pensando que ter coisas lhe faz ser alguma coisa. Nutre inversamente o que destroi e afasta, desama e não se arrepende de promover a desordem. De tanto querer ser Deus, se afasta Dele. E diz que é muito, que é importante, e acumula coisas no umbigo e esvazia o coração. Tão pequeno é o ser humano... Quanto mais se auto intitular grande, menor do que uma joaninha fica.