Postagens

Poema de terça-feira

Imagem
Só por hoje, não vou me maltratar. Vou descansar os olhos nos ipês. Floridos, coloridos, vivos Não cobrarei, nem me punirei pelas atividades atrasadas. Vou acreditar que cada uma delas tem um tempo e o tempo não cabe em meu entendimento. E o que cabe? Continuarei como formiguinha. Outra parte como cigarra. trabalhando, mas cantando. Na ambiguidade, sou. Só por hoje, não vou brigar com sentimentos Vou jogá-los ao vento E ver transformar em pétalas gotas, plumas, orvalho Deixo hoje a vida passar por mim e se instalar nos detalhes leve e profunda consciente da humanidade minha, sua. De todos. Tal qual deve ser. Não vou fardar as costas nem costurar problemas nos músculos Não vou martelar a cabeça nem apunhalar os joelhos vou tomar a água da sede que pedir o coração Só por hoje, não vou me maltratar. Deixo hoje a vida passar por mim e me levar - amena - com ela!
(Nathália Coelho)

Amando-se.

Para transpassar as barreiras de si mesmo é preciso se amar muito. Porque, ao ter apreço, admiração e imenso carinho por seus terrenos de dentro, é mais fácil a compreensão do cuidado com o jardim. Eu cuido daquilo que amo. Eu limpo aquilo que amo. Eu melhoro aquilo que amo. E em tudo isso é preciso enxergar significado. E só se alcança o sentido da própria vida quando, ao olhar para si mesmo, encontra alguém de valor. O exercício desta quarta-feira é uma viagem interior. Observe quem você é, seu contexto, sua família, amigos, suas escolhas. E valide. Para então dar o próximo passo. Hoje acordei me amando mais. Amando tudo, absolutamente tudo que me compõe. E por isso consciente da estrada que preciso percorrer. Esse sentimento eu quero compartilhar! Boa quarta-feira!! 
(Nathália Coelho)

Re-habito

Imagem
Atravessam portas de mim os ventos da mudança. Batem as janelas Desarrumam gavetas Voam papéis Desnudam Velhos há-bi-tos. Já não habito Como antes. Já não sei, Não reconheço (me) Mas cresço. Era semente Agora floresço E re-habito Nos terrenos novos de mim.
(Nathália Coelho)

Artigo gostoso

Estava no deadline de novo. Sempre, como sempre eu deixo as coisas por última hora. Dessa vez era um artigo da pós-graduação. Era madrugada e eu digitava freneticamente. Dez livros abertos de um lado. Centenas de folhas espalhadas do outro. A mesa da sala tomada por papéis e meu Notebook faltando a tecla do CapsLock fazia um barulho chato indicando que o maiúsculo e o minúsculo estava emperrando quando solicitados. Um dia para escrever dois parágrafos da introdução. Seis horas para desenrolar um pensamento de doze páginas. Fui dormir duas da manhã. No outro dia, cedo, levei o artigo à UnB. Sai do carro desesperada. O professor estava fechando a sala. Entrei e entreguei o texto. Ele deu uma olhada rápida, folheou e disse: "Não, Nathália. Péssimo. Sem nexo. Isso é lixo!" Peguei o amontoado de papel, apertei contra o peito e fui embora. Chorei no Estacionamento. Voltei pra casa. Amassei tudo aquilo e joguei no lixo... Não, ops. Joguei na panela. Como mágica, o artigo virou um m…

A. I. 2016

(Nathália Coelho)
Digere e vive.
[Não dá tempo de sofrer súbito mal.]
Digere e dirige.
[Não dá tempo de olhar para trás.]
Digere e regurgita.
Come o vômito.
- IMPERATIVO.
Lá vem mais.
Digere e vive.
há espaço, [aperta o sapato.]
se espreme em si mesmo.
Digere.
E não reaja.
finge demência.
isso passa.
Mas lá vem mais.
Digere, digrida.
não vão te ouvir.
sentir jamais.
Sem discussão
é em vão.
Digere sem diálogo.
Só digere.
Goela abaixo.
Porque lá vem mais.

Por ora.

Tudo é por ora
Nada é para sempre.
Prefira o "por enquanto"
Siga em frente. A minha incompletude
não me equaciona
em fórmulas prontas.
Posso até me resolver no momento.
Mas depois me esqueço
e me perco:
da equação,
da fórmula,
do resultado.
Que jurava já saber! Vê. Tudo é por ora
Nada é para sempre.
Prefira o "por enquanto"
Siga em frente... (Nathália Coelho)

Perseguição Policial

Imagem
Era meio dia. O jornal abriu com uma perseguição policial na Avenida Hélio Prates. O cinegrafista estava super equipado. Uma go pro na cabeça dava a dimensão dos passos dos bandidos. A câmera na mão para fora da janela do carro mostrava o rosto dos fugitivos direitinho. A Transmissão por terra era via mochilink. Também pelo helicóptero. Uma equipe acompanhando por fora. De casa, um barraco apertado no Sol Nascente, eu assistia a tudo. Eram homens conhecidos da comunidade. De repente eles começam a atirar. Acertam o carro da polícia e o cinegrafista pega a imagem certeira. Vaza o áudio: "pqp!! Olha essa imagem. Peguei. Meu Deus do céu, que porra é essa?" O bandido permanece atirando. Agora na câmera. Tudo ao vivo. Eu vendo da TV. A imagem fecha porque provavelmente o equipamento parou de funcionar. Mas a central já gravou a cena, que fica repetindo em looping o "pqp!" para o telespectador. Imagino que a audiência está alta. De repente gritam na rua e me assusto. &q…