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Mostrando postagens de Abril, 2014

54 anos de capital do quadradinho

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Brasília, cidade onde Deus quis que nascesse, vou te confessar, já pensei em te largar.  Ainda penso de vez em quando. Mas não é uma deserção raivosa. É saudosa. Igual filho que cria asas e sai de casa. E depois volta para o ninho. Por enquanto, os planos ficam no coração, dividindo espaço com o amor ao seu mar de céu, sua beleza arquitetônica, sua graça em fazer amigos e retribuir oportunidades para quem sabe agarrar. 
Fica ainda compartilhada a minha gratidão por tudo que tenho vivido aqui e ainda viverei, pois é fato, por vezes nossa alma se atrasa, e sente saudade do que não viveu, ou se adianta e caminha na frente do corpo. 
Trago ainda a alegria de suas auroras e crepúsculos dentro e fora de mim. 
O prazer das noites de sono. A graça dos risos gratuitos. Os amores em movimento. A infância e os livros. A adolescência e os sonhos. O início da maturidade e o trabalho. As notícias. O calor. As chuvas intermináveis. 
Embora tenha trazido tristezas, minha família te acolheu, vive e é feli…

Sexta da Paixão.

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Jesus foi corajoso e forte, de uma resiliência e resignação sem tamanho. Lá no fundo talvez temesse, (como agoniou e pediu ao Pai que afastasse o cálice), mas foi em frente. Aguentou até o fim. Passou por entre pedras e espinhos. Caminhou ao calvário. Seguiu calado. Sofreu amando, e por isso deixou-se viver toda a paixão. Jesus não fugiu. Jesus não lutou contra o desconhecido. 

Jesus, mesmo sendo Deus (meu Deus!), preferiu cumprir a missão de se dilacerar em vida. Jesus não vociferou contra o Pai, nem tampouco extinguiu em seu coração a existência Dele. Não foi por causa da dor que Cristo usou da violência. Trovejou em Jesus. A tempestade durou horas de tortura. Um milhão de feridas e chagas abertas. Foi Humilhado por parte de quem é intoxicado pela podridão de emoções mesquinhas. Jesus esgotou o tempo fechado em si e esperou as nuvens se abrirem e, ainda todo acabado, acolheu o irmão na cruz. O machucado de Cristo sangrou de verdade, dentro e fora. E Ele viveu esse tempo. VIVEU. 

Até v…

Devir.

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Uma travessia.
Um caminho. 
Uma estrada. 
Passos constantes. 
Pequenos, grandes. 
Uma passagem... 
incessante. 
Um emaranhado de pedras e flores. 
Abismos, 
montanhas, 
escuridão 
... e luz. 
Dores e amores. 
Sofrimentos de tristeza e de alegria. 
Uma trajetória eterna. 
Infinita. 
Além do horizonte.
Dada aos mistérios. 
A continuidade. 
As esperas e esperanças. 
A fé na esquina. 
Os sabores. 
Os desgostos. 
Os orgulhos. 
Das lembranças e esquecimentos. 
Das feridas abertas 
e depois curadas. 
Da nova ferida. 
Da nova cura. 
Quedas. 
Vitórias. 
Um movimento. 
Tudo, um sopro. 
VIDA.
Vida. 
Vida...

Crespúsculo

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O cair da tarde é como redenção. 
Traz alívio ao peito e trabalha o calor no espírito.
 É como se Deus descesse e se instalasse ao nosso lado e dissesse: 
"Filho, vim observar contigo essa luz." 
Tenho pra mim que esse brilho meio amarelado - o laranja que mancha o céu de tal forma e colore desenhos - é o próprio Deus trazendo a serenidade pra terra. 
Se parássemos por um minuto para observar esse momento, o final do dia seguiria mais feliz. 
É poesia pura.

Das reflexões da noite.

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A maior deserção da pós modernidade é a do ser humano por ele mesmo. Hoje em dia prioriza-se o efêmero em detrimento de sólidas histórias. Prefere-se a superficialidade do que as relações profundas, nas quais é necessário a doação de si mesmo e a valorização do outro. 
É mais fácil ficar só na porta do mundo de alguém do que adentrar territórios e construir uma casinha nele. Cultiva-se flores de plástico. Já vêm prontas, não precisam de cuidado diário. Pode-se ficar com ela durante uma semana e em seguida trocar ou jogar fora. 
Ama-se mais o status de ser, do que o ser de fato. E por falar em amor... o máximo que se encontra dele é uma balinha de "TicTac" divida em dois. (E o pedaço não é para dar ao outro e sim para comer mais tarde...) Confunde-se amor próprio com egoísmo e egocentrismo. Foca-se no corpo e se esquece de que ele é abrigo de um espírito... 
O máximo que se constrói é um castelo de cartas. Perdeu-se pelo caminho a paciência no escutar. E todos querem falar falar…

Interior desejando.

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Nas palavras rápidas e superficiais, 
espera-se na verdade 
o abraço que aperta, 
o olhar mais demorado, 
um sorriso verdadeiro. 
Todos correm, 
mas no fundo querem desacelerar o passo 
e acompanhar os pés de outro alguém. 
Nas ruas, ninguém se toca, 
mas o coração é carente 
de afago, 
do encontro, 
do diálogo. 
Todo mundo, 
mesmo sem saber ou compreender, 
anda querendo resgatar 
o que da vida 
perdeu-se em algum momento. 
E segue vivendo contrários...