Postagens

Mostrando postagens de Outubro, 2015

Ao dia mundial do escritor

Imagem
Tenho pra mim que Deus é escritor. E não jornalista. Deus é dado à literatura da vida. Não à sua factualidade. Deus é da ordem das entrelinhas, dos subentendidos, das ambiguidades, da subjetividade. Não é da ordem da notícia rápida, descartável, superficial, de respostas prontas. Deus é da ordem da escrita em profundidade. Daquelas que contam histórias e começam pelo meio, ou pelo fim, ou por qualquer lugar. Não importa a ordem. Deus não dá lide* pra vida. Nem responde taxativamente as perguntas quem, como, onde, como, porque e pra quê. Deus nunca deu chance para a objetividade, muito menos para a falácia da imparcialidade. Deus não escreve manuais de redação. Deus escreve romances. Deus CRIA. É narrador por excelência. Deus é dado à ARTE literária. Deus não é dono de jornal e também não quer vender. Deus é de contextos. E não de certos e errados. Tenho pra mim que Deus prefere fruir do que se informar. Deus é reflexão, não é informação. Deus é da ordem das esperas. Não do deadline**…

Entrelinhas da vida

Existe uma plenitude em mim que foi adquirida com o tempo. Amadureceu. Criou raízes e asas, contraditoriamente. Raízes porque me fundamenta, equilibra. Asas porque liberta o meu direito de ser quem sou. Estou falando da plenitude de seguir a religião que quero. Da individualidade que diz respeito ao meu coração e, para mim, Deus. Apenas. Deu vontade de escrever sobre essas coisas. Porque nem sempre foi assim. Houve uma época que tive de praticar a resiliência (não recíproca) para manter um círculo social. Resiliência para ser educada. Engolia "goela abaixo" mesmo o desrespeito por não seguir as verdades alheias. Era como uma bigorna em minhas costas. Feriam o meu direito constitucional da prática religiosa. Mas eu caminhava, pelo outro, para não desfazer laços. O envelhecer deu olhos de enxergar o quão injusta eu estava sendo comigo. Porque eu necessito de respeitar a mim mesma antes de espalhar respeito por aí. Não, ninguém tem o direito de dar opinião, tentar te convencer…

Uma noite no Hospital

Imagem
Noite no Hospital de Base. Ajudava a cuidar dos doentes, mas não era médica. Era uma voluntária. Passava por várias alas. Segurava a mão dos acompanhantes. E eles rezavam pelos seus entes queridos. Nem todos me enxergavam. Sobre os enfermos eu impunha minhas mãos. Podia sentir a energia de seus corpos. Na UTI neonatal, as mesmas crianças internadas brincavam e flutuavam. Foi quando percebi que estava num plano paralelo. Até mesmo os bebês conversavam comigo. E alguns mais sapecas gostavam de me transpassar o próprio corpo. Sentava ao lado dos pais. E lhes prescrevia alguma coisa intuída de Deus em um papel. Escrevia. Escrevia. Escrevia. E deixava o recado/receita lá. Também tinha a água, limpa e transparente. Cristalina. Era materializada sobre uma mesinha. Eu pedia para que bebessem. Em cada pessoa que chegava, dizia "a vida é muito mais do que vê." "A vida acontece quando não se pode enxergar." "A vida é além desse lugar." "Confia em Deus." Eu…

É amor.

Você sabe que é amor (vindo de Deus) quando tão despretensiosamente anseia pela liberdade - em todos os sentidos da palavra - do outro. Você sabe que é amor quando tão despretensiosamente se esvazia por completo para compreender o sentimento, não em si, mas na pessoa amada. Você sabe que é amor quando tão só deseja a felicidade do outro sem querer necessariamente vinculá-la à sua ideia de felicidade. Porque amar, de fato, é um despreender-se por completo das amarras do egoísmo e da vaidade que te prendem à sua mesquinhez. Os mais firmes laços de amor são invisíveis aos olhos mas completamente e indubitavelmente não perecíveis ao coração. (...)

das palavras vazias...

Todo discurso se torna vazio e pedante quando vem de fora para dentro. Por isso é tão fácil banalizar as palavras de um político, de uma religião, de qualquer coisa. É superficial e de fachada, quem usa a linguagem para criar uma postura ética e moral, humana e amorosa, que existe apenas da boca para fora. Desconfie de quem só fala. Desconfie de quem necessita ficar o tempo todo se auto afirmando, se auto elogiando, se auto construindo. Desconfie da falta de humildade. Provavelmente se trata de um humano tipo "castelo de cartas". Basta só uma brisa para cair por terra. Hoje fiquei pensando nessas coisas, ao me deparar com a liberdade prometida pelo cristianismo. Jesus liberta porque propõe uma transformação do interior para o exterior. "Aceitar Jesus" não é sair por aí falando sobre Ele, impondo goela abaixo uma doutrina. É daí que nasce e rejeição, a negação, o ódio. Nasce da hipocrisia típica dos fariseus. Eu diria até que a palavra não é aceitar, no caso dos cr…