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Mostrando postagens de Setembro, 2012

Aprender e ensinar

A mãe dizia que ele era criança de ficar em casa, não de ir à escola. Mas Josivaldo se imaginava dentro de uma poça de giz de cera... Texto de Nathália Coelho, publicado na edição de agosto da Revista Meiaum. Eram seis da manhã. A luz do sol entrava pelas frestas do barraco de madeirite e pairava sobre o colchão onde cinco crianças dormiam. A mãe do rebento esquentava água no fogão. Café preparado com a borra de ontem, que servia para hoje. O barulho de pássaros, o ar morno e o brilho do dia acordaram o primogênito Josivaldo. Mesmo com olhos abertos, não conseguiu enxergar o barraco, a mãe, o café, os irmãos. Via apenas uma imensidão de branco e vultos. Acostumara-se. Há dez anos era assim, a cada ano um pouco mais. O menino, que morava no assentamento perto de Brazlândia, nasceu com catarata e pouco enxergava. Todo dia ouvia a mãe acordar os irmãos menores, alimentá-los quando havia algo para comer e caminhar 2 km até a BR para pegar o coletivo que os levava à esco - la. Josivaldo só i…

E se.

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E se ela fosse embora sem pensar em ninguém, haveria laços rompidos, destroçados em sentimentalidades. 
Mas se ela ficasse e a agonia crescesse, a tal ponto de sufocar e estafar, reprimindo desejos e anseios que o coração gostaria de sentir. Largaria vontades profundas e deixaria escorrer a rotina para dentro de seu ser.
Contudo se ela fosse, pensando em todos, principalmente em si? Fosse com a certeza de voltar um dia, mesmo que daqui muitos dias, poderia até sentir saudade... ( e a saudade apertaria o peito, certamente).
Porém se ela ficasse nem saberia o que é a saudade de estar longe cotidianamente. E não sairia da sua zona de conforto, nem experimentaria novas sensações de saber (sobre)viver longe de casa. 
Entretanto, se ela fosse, iria aos poucos, para não haver sofrimento desmedido (e é possível?). Iria dando passos pequenos, a fim de se acostumar com a ausência dos seus. E como partir se o amor é demasiadamente grande a ponto de explodir?
Todavia, se ficasse e resignasse, decidiri…

A garota e o mar

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As ondas vão e vem, vão e vem, vão e vem. Encantamento! Esse é o sentimento expresso nos olhos da garota! A imensidão azul fez a mulher de pele morena e cabelos encaracolados se apaixonar por aquela criação divina. 
- E tem gente que não acredita em Deus! - Reclama ela.
Com seu chapéu de praia, óculos escuros, brinco de frutinhas vermelhas, biquine floral e bermuda azul, ela vai 
AO encontro do mar. O problema é que ele foi DE encontro a ela. Água salgada, areia, mais água salgada e mais areia. Isso foi o que ela ingeriu pelo caldo que acabara de levar.
Risadas frenéticas soam de seu bonito amigo que a acompanhava.
As ondas vão e vem, vão e vem, vão e vem. A garota se afoga e respira, se afoga e respira, se afoga e respira.
Depois de se levantar com a ajuda de seu bom amigo, a garota diz: - O mar ainda levou meu brinco favorito.
Mais risadas ecoam do bem apessoado amigo e ela não aguenta e também ri da peça pregada pelo mar.

Autor desconhecido. (Lucas Madureira)

Relatos de uma viagem à Fortalez…

Sobre o sol e a terra do sol.

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Conheci um pedaço do paraíso. E espero que meus olhos se recordem dele por todo o resto de minha vida, ou até o observarem novamente algum dia. Talvez a junção do azul do céu com o mar não faça em você o que faz em mim. É encontro e abraço divino. É como um colo regozijante do próprio Jesus. A água vem, quebra na praia, leva tudo o que deve ser levado e limpa tudo outra vez. O próprio movimento é belo, e diz respeito - de fato - ao que devemos aplicar em nossas vidas. Lembrando sempre: o sol está ao fundo, explodindo em brilho e iluminando ao redor. É presenciar a perfeição de Deus, tal cena. Inexplicável sentimento de calmaria. A água salgada bate nas pedras, salpica os pés, os olhos fecham, mas a alma sente, te aproxima do céu. Sentamos na areia e ficamos encarando o horizonte. O próprio meio ambiente tranquiliza as inquietações do interior, causadas pela cidade. Basta olhar para aquele cenário e inflar o pulmão de esperança. Deixar-se lavar pelas águas e equilibrar as energias, rec…

Desfolhou.

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Veio o vento e desfolhou o caderno. Arrancou algumas páginas, amassou outras, virou-o de cabeça para baixo. Na verdade foi um furacão que devastou o caderno. Em seguida a chuva. Molhou as letras, diluiu a tinta vermelha, manchou os escritos. Alguns ficaram inelegíveis.  Outros davam para ler assim, de longe. Depois a ventania voltou. As folhas voaram, foram embora, desgrudaram da capa. O tempo acalmou, repentinamente. Aí que o dono pôde perceber o estrago. Pegou-o com cuidado. Aquilo que ainda restava. Doeu ver a sobra de uma história. Foi o abandono que fez perder-se pelas amarras do tempo e desastres naturais. Estava frágil. 

Reuniu tudo contra o peito. Fechou os olhos e os abriu rapidamente. Observou as coisas em seu colo. Costas apoiadas no muro. O céu se abria azul sobre si mesmo. Era hora de rever o caderno. Prometeu, antes de mais nada, cuidar dele. Ao longo das páginas manchadas, palavras saltavam em seus olhos fazendo-o reviver lembranças que ora aqueciam ora endureciam-lhe o …