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Mostrando postagens de Julho, 2011

A linha de produção

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Deus testa nossa calma e paciência pelo cotidiano. Os dias passam e a importância da espera fica cada vez mais clara. Sim... A vida é como uma linha de produção industrial. A cada ponto, algo a acrescentar, a construir, a modificar. A princípio não entendemos o porquê de passar por aquela etapa. É que nossa visão humana é limitada, pequena. Mas nós devemos tentar superar tudo isso e almejar o produto final.  Nascemos, crescemos, existimos, morremos. Tudo em prol da vida eterna. Viemos de Deus, somos Dele, vivemos por e como Ele quer. Vou confiar, mesmo que a luz ofusque a visão da estrada. Não deixarei que os faróis da pista contrária façam eu perder o foco em direção ao horizonte. Sem cessar, caminharei. 

O portão da garagem

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Nathália Coelho
O carro está parado no segundo subsolo do residencial Village de Pituba. Breu. Os olhos enxergam a luminosidade artificial. Os pensamentos acompanham a escuridão. Ainda não despertaram totalmente. Estão acordando, pouco a pouco. Liga-se o motor e o rádio. Um chiado denuncia: lá em baixo as ondas sonoras não chegam muito bem. O veículo faz a curva e sobe a primeira rampa.

Rosto iluminado pela luz do dia, que vai entrando pelas frestas do portão da garagem. Enquanto ele se abre ao toque do controle, o motorista observa o mesclar das barras de ferro com o balançar das árvores. É nesse momento que nasce a poesia da manhã. E a mente se abre, e as nuvens se dissipam, e se imagina o quanto é bom viver. E se agradece por mais um dia, e vai seguindo ao som dos versos e da rima. Logo se anima, e não se aninha. Decide fluir. Ir!

A luz entrando pela fresta do portão. O verde balanço das folhas. As gotas de sol que brilham a cena. Tudo leve como uma pena. A imagem recorda a natureza a…

Mar vivo ou morto?

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"...é preciso estar tranquilo pra se olhar dentro do espelho!  Refletir... O que é?" Cidade Negra Nathália CoelhoEra noite quando me deparei com a estranha calmaria. Percebi, nada me inquietava. Ideias sóbrias, pensamentos retos, mãos repousadas sobre os joelhos. Deitei um pouco e fiquei meditando sobre essa ausência temporária de mim. Não entendia o que se passava. Geralmente, noites dadas à solidão acabam cheias de interrogações pelos cantos da casa. Aliás, todos os pontos possíveis dentro da mente fervilham no caldeirão de acontecimentos revistos. Mas dessa vez, estava vazia de reflexão. O que ocorria? Não era falta do que pensar. Pelo contrário! A pilha de assuntos acumulados era exatamente o que me levava a preocupar com esse 'não pensamento'. Temi a mim mesmo. Confesso, não entendi o motivo de estar tranquila. (Estava tranquila? Não sei se podia chamar isso de tranquilidade.) Afinal, me aflige pensar que os dias podem passar sem que eu os perceba; que as coisas aco…

Os ensinamentos do tempo

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Nathália Coelho
‎"E palavras mordazes que machucam tanto,  não vão levar a nada, como sempre..." Legião Urbana

Já escrevi muitas coisas que desagradaram os olhos de quem lia. Falei mal de muitas pessoas. Fui irônica. Usei do sarcasmo. Tudo para aliviar a dor da perda repentina sofrida pelo coração. Peguei a agonia do término de relacionamentos infundados e a transformei num poço de facas. Atirava-as por todos os lados. Era como um alívio indireto. Arrancava gargalhadas dos amigos, uma piada e outra jogada ao vento. Tomada pelo torpor da raiva, fui cega para ver o estrago que fazia ao alvo de tudo aquilo.
Não retiro nada que fiz, pois, de fato, foi a tática escolhida parar driblar os fantasmas do medo e da mentira que me rondavam madrugada adentro. Às vezes, falar pelos cotovelos, digo, escrever assim, para atacar, só é interessante quando começa a amaciar o peito, dando passagem a calmaria que logo vai desembarcar. Contudo, se fosse hoje, não faria igual. Não atiraria pedras. Não…

Conversa de elevador

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O elevador está lotado. Cinco pessoas. De repente, para no terceiro andar. Entram dois garotos de sete anos. Eles estão vestidos de roqueiros, óculos escuros. Um carrega uma guitarra de brinquedo pendurada nas costas. O outro, em uma das mãos, um microfone; na outra, duas baquetas de bateria. - Nossa, mas vocês vão cantar onde? - um senhor pergunta. - Vamos ensaiar uma música ali no playground. - Que legal! E essa camisa preta, aí? - uma senhora fala. O menino que a mulher se refere olha desconfiado e faz menção de tirar ou esconder a blusa. - Não, tira não! Tá legal! - Não, não ia tirar não. Só ia mostrar minha tatuagem.
Todos começam a rir.

Só se eu quiser.

Se eu quiser, posso deixar-me levar pelas mazelas mundanas e humanas.
Assim, afundarei num mar de tristezas.
Se eu quiser, posso acabar com a alegria dos dias ao pensar na falta de respeito e alteridade entre os povos.
Assim, trancarei meu coração ao próximo.
Se eu quiser, posso enxergar uma nuvem negra que paira sobre a humanidade e faz chover ódio entre pais e filhos.
Assim, acostumarei com a iniquidade ao meu redor.
Se eu quiser, posso pensar na deserção dos valores e tradições do pós modernismo.
Assim, viverei o efêmero e o superficial nos meus relacionamentos. 
Se eu quiser, posso acreditar que tudo é ruim e o mundo não tem mais jeito.
Assim, ficarei eternamente imersa na negatividade.
Morrerá a esperança, padecerá o amor...
Vou cair e ficar no chão. Músculos fracos para enfrentar o que desconheço.
Mas só se eu quiser!


Porém...
Prefiro olhar o sol. Amanhecendo ou se pondo. Tanto faz. Todo dia ele vem mesmo...
Prefiro sentir o vento. Parar por um instante, fechar os olhos e deixar meus cabelos b…

Luz de fim de tarde

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Nathália Coelho (Abril de 2011)
Fim de tarde cai inebria.
Céu estrelado. Noite de  sossego...  Calmaria.
Barulho dos grilos,  cheiro de mato, clima de nostalgia. Pinga torneira.  Meia luz ilumina conversas de família.   Coração preenchido!
     Mente vazia... vazia...           vazia de toda correria. Amém.

Limonada e biscoito de banana

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- Ei, você tem um real?
De primeira, não enxerguei a pessoa que me questionava. Era pequena, me olhava de baixo, olhar faceiro e esperto de quem quer alguma coisa. A pergunta veio de Gabriela, uma menina de no máximo 6 anos que mora aqui no prédio. Cheguei cansada do trabalho e lá estava ela - vestida com uma blusona do Flamengo -, com uma barraquinha de limonada e biscoitos à venda.
- Bom, não tenho não. Mas pra quê você quer dinheiro?
- Eu tô vendendo lanches. - apontou para a parede. Abaixo do mural de recados, um papelão indicava com uma seta a barraquinha na portaria. Em cima de uma mesinha, feita de caixa de sapato, havia uma garrafinha, dessas de levar suco para a escola, vazia e semi aberta. Ao lado, uma sacolinha plástica com uns seis biscoitos.
- Que legal!
- É, mas o suco já acabou. Mas você tem um real?
- Deixa eu procurar. - respondi, sorrindo. 
Enquanto eu vasculhava a bolsa, ela se remexia dentro da blusa do time de futebol. Pulava de um lado para o outro, mas não deixava de m…

Ao som de Beethoven

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Nathália Coelho


Mantinha olhos fechados. O som passeou em minha mente, caminhando por todo meu ser. Foi desbravando os labirintos internos como quem almeja um objetivo. Não poderia saber dessa intenção singular da música. Talvez fosse uma sensação normal cujo eu desconhecia. Afinal, nunca havia parado para meditar sobre a sinfonia nº 5 de Beethoven, do modo como fazia ali naquela sala acadêmica. De repente, parou no coração e sorriu. As notas musicais foram dando forma às minhas ideias. Um portal se abriu aos pensamentos e, do nada, já não estava mais na aula de estética, na faculdade.
Diante dos meus olhos, apreciava um lindo descampado europeu do século XVIII. As flores amarelas batiam em minha canela, corria contra o vento. Meus cabelos longos encaracolados balançavam assim como as saias do meu vestido. Era uma camponesa. Os panos em tom marfim e rosa salmão meio molhados marcavam meu corpo.  Havia acabado de lavar roupa. O espartilho também acentuava minha fina cintura. Parecia fug…

Aflição

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Nathália Coelho (Junho de 2008)
Sentada num tapete rosado Observava você passar. Caminhava por entre nuvens de pensamentos ao som de uma cantiga romântica. De repente saltou o riacho E já na beira da estrada acenou para mim. - Não vá meu amor, não me deixe aqui Eu dizia baixinho só pro meu eu ouvir.
Onde estão os cuidados prometidos Nas infinitas juras de amor? Cuidados destinados à outra Que outrora chegou.
Destino que misturava o presente e futuro Em devaneios sem fim... E aos poucos o rastro das tuas sandálias virava fumaça no meio do imenso jardim.
Levantei-me e fui ao seu encontro Em vão...<

Parabéns, mãezinha!

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Hoje a árvore MÃE do meu jardim faz aniversário! Que dia mais feliz!
Nessa mesma data, o jardineiro Mestre da vida decidiu por sua vida! E com ela, veio condicionada a minha existência.
Ela alimenta meus dias! Sob sua sombra frondosa não tenho medo. A seiva/sangua a correr em suas veias nutre-me de amor. Um amor inexplicavelmente forte..., latente, sempre presente.
Mais do que a minha árvore MÃE, ela é braço de Deus para quem cruza seu caminho. É o verbo 'cativar' em forma humana. É o lápis de cor a colorir os corações das crianças, jovens e adultos. É meu verdadeiro amor. Linda!

Parabéns, minha mãezinha!