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Mostrando postagens de 2011

Camada ou camarada?

No banho, Martina de dois aninhos e sua mãe Marcela brincam com espuma de sabão. - Mamãe, põe uma camarada de sabonete líquido aqui pra mim. - Filha, é uma camada. Camarada é uma pessoa legal! Você entendeu? - Entendi. Isso que eu quero é uma camada.  - E camarada? - Uma pessoa legal! - diz alegre. Sorrindo, Marcela coloca o sabão na esponja. Martina responde prontamente: - Obrigada, Camarada!!
Risos!

Crônica de Natal

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(Escrita em dezembro de 2008) /Nathália Coelho  Era uma segunda feira de dezembro. Lá fora, a chuva caía sobre o parquinho colorido. O pátio estava vazio, mas as salas estavam cheias. Cheias de conversas, estudos, provas, mestres e crianças lecionando e aprendendo. Atenta, a turminha de 2º série da tia Juliana a escutava falar sobre o Natal... - Crianças, o que vocês acham que é o Natal?  -Tia! É enfeitar a casa com árvore de natal - uma menina magrinha falou. - Lá em casa minha mãe comprou a árvore ontem! - Ganhar presente! - outro parou, pensou. - Mas eu nem ganho tanto assim... - Comer comida nova tia, minha mãe faz uma frango diferente, ele é mais gordo. - Tia, lá em casa faz uma 'festona', meu pai convida o pessoal da rua e eles ficam bebendo e jogando dominó até tarde. Mas eu não posso, minha mãe me manda dormir. Lá do fundo da sala, Kevin deu um grito: - Oh oh oh Feliz Nataaaal!!!! - e começou a rir. - Eu, minha mãe e meu irmão vamos na igreja nesse dia, mas eu não entendo nada …

Simples

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Assistentes do Papai Noel

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No hall de entrada do apartamento, as gêmeas de 7 anos do sétimo andar, de cabelos enrolados, morenas e espertas brincam sem preocupação. Ambas se vestem do mesmo modo: vestido rodado vermelho, sandálias da cor de um beijo com um lacinho na ponta.
- Ei, meninas! Hoje você estão iguaizinhas na roupa!
- É que a gente foi assistentes de Papai Noel hoje. - diz a primeira.
- É mesmo?
- Aham. Lá na Igreja! - completa a segunda.
- Que legal! Nossa, de Papai Noel...
- É, mas ele tinha seis anos. 
Todos riem, inclusive elas.

Papo de ônibus

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(Nathália Coelho)
- Vei, e aquele povo da Igreja?
- Que que tem? - Muito sem noção. Fica obedecendo umas besteiras que o Pastor fala, tipo, 'não pode vestir saia, pintar unha, arrumar o cabelo, se depilar... já viu isso? Acho paia. Pintar a UNHA! Nossa. - Só. Mas isso quem faz é só os véio. As irmãs novinha são tudo bonitinha. - Não, tem umas que eu não pegava nem fud*.  - Aquela Luana tá toda toda pro teu lado, tu tá sacando né? - Tô, mas ela se veste igual idosa. Rola não... - Uai, igual o pastor manda. - Pior. E aquela Joana. - risos - toda vez que ela me abraça eu sinto o cheiro da chapinha do cabelo dela. - E o retiro? Você viu lá? Da mocidade. Tá afim? - Acho melhor não, saca. Tô longe do povo... daí se eu for vão ficar falando que 'ele só vai no retiro.' - Vai perder, vei, a oportunidade de ver as irmãs tudo de biquíni. Da última vez, caraca, foi emocionante. - bate no peito.  - Que que aconteceu? - O peito direito da Paola saiu pra fora do sutiã quando ela pulou na água. - Todo m…

Esconde-esconde

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Vivo brincando de me esconder. Essa é a verdade. Descobri-a no momento em que eu mais queria ser achada por alguém. Não qualquer alguém. Mas aquele que é bem-vindo no território. E não só me encontra, mas é dotado da coragem necessária para desbravar o terreno empoeirado que anseia por visitas. E, ao procurar por mim mesma em outra pessoa, nessa batalha de relacionamentos, me vi acuada no canto, como quando criança ao brincar de 'pique - esconde'. O canto era tudo. Os óculos, as palavras, o computador, o trabalho, minha casa, minha família, os amigos, as redes sociais. Até mesmo os valores e princípios viraram esconderijos.      Embora a graça da brincadeira infantil esteja em ninguém te encontrar, na vida real, extraordinário é acontecer o contrário. Como num milagre divino, a gente espera a hora do cutucão nas costas e do grito bem alto: 'um, dois, três, fulano!' Mas as coisas não são assim. Não é achado quem se esconde. Ninguém vai bater na porta de casa e falar…

Ânsia(da)idade

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Ansiedade dá e passa não. Ansiedade dá e fica NÃO! Ansiedade vá embora não... venha  mas seja breve. avise: a vida é descoberta dia-a-dia queira, insista, caminhe. Ansiedade abro a porta  tchau! entre esperança brisa das esperas seja leve enquanto precisar ficar. Ânsia, idade... Ah!

Vontades

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E foi pra ser assim de repente como um repente bateu, ficou, não vai embora a agonia boa sacoleja o corpo estremece a mente não é à toa agonia quer sair agora intuição! Não é mansa grita e dança a alegria dos passos nesse compasso sem espaço do meu coração.
Vai ser hoje e não demora. Já começou aqui dentro. O fora? questão de tempo apressa, espera a hora certa de explodir em flores cores... cores!
Jardim de aquarela!

Das dores do mundo

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Deito como quem adoece numa noite úmida e sombria A lua tenta iluminar ... em vão.  O corpo hoje quer solidão descansar do peso do existir.
Clamo contra essa poesia ingrata! Insensata. Insiste em ser rio corrente  em momentos de poça de lama.  Quer  derramar-se  quando só se quer parar Vive da contradição

Sinto em meus ombros o peso das mazelas do mundo O filtro da hipersensibilidade
se esvaiu em pó Para dentro de mim  o chorume da humanidade invade como tsunami flui tudo e mais um pouco. 
Sufoco, engasgo, estafo, choro
s.i.l.e.n.c.i.o Basta, ponto final nessa história.
Ledo engano... Só hoje, doarei ao mundo minhas reticências sem ponto de exclamação 
(...)

Autobiográfico

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Texto escrito para o Grupo Escribas.
 Sou simples e comum.  Amante das cores, do sol, da música, da dança, da poesia que nasce do concreto da cidade. Já fui muito sonhadora, mas a maturidade me deu âncoras para me prender ao chão. Amo minha família, minhas origens brasilienses. Mas, confesso, amo mais Minas Gerais! Amo as letras e, pelas palavras ditas com intensidade me apaixonei.  Foram os livros os maiores motivadores da profissão que escolhi para vestir meu trabalho. Lembro-me como se fosse hoje, quando a lâmpada do jornalismo acendeu dentro de mim. Eu tinha 13 anos.  O Desejo tornou-se realidade e hoje, não só leio as notícias, mas as produzo... Carrego dentro de mim um bálsamo que perfuma e alivia os dias. Emana amor, confiança e fé. Tranquilidade para o stress, resignação e silêncio quando preciso. O bálsamo é Deus. E sem ele, perco minhas forças vitais. Sem ele não sou nada, sem ele sou só uma pessoa, e não a Nathália. Posso ser complexa também. Atribuição da minha natureza feminin…

Flores e cores

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Eram tardes floridas de janeiro. A adolescência doce enxergava a vida pelos olhos de uma ingenuidade multicor. Passavam-se os dias. Ela ainda acreditava em contos de fada e criava os seus. Devaneava. Era sonhadora. Queria conquistar o mundo. Fazia planos, mas sabia viver um dia de cada vez. Ainda não conhecia a tal da ansiedade. Era livre como a juventude prescreveu.     Amava tudo e a todos, principalmente os livros. E pelas letras e palavras viajava imaginando o caminho. Vivia cada obra literária em profundidade. Não participava de debates de leitura, mas debatia consigo mesmo. Ia atrás, buscava na internet sobre o assunto e tomava aquilo como mantra.     Foi assim que um dia se apaixonou por Leonardo da Vinci. Como não tinha Twitter, postava as citações do inventor nas janelas do quarto. Eram todas enfeitadas com giz de cera. As fotos estavam publicadas nas portas do guarda roupa. Sonhava em viajar pela França. Dormia e acordava pensando no Louvre. Começou a fazer francês. E entã…

Sobre o matar por amor

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Estarrecida e triste. Foi assim que fiquei quando cheguei em casa, depois de lidar com a história do professor universitário, Rendrick Vieira Rodrigues (35 anos) que matou a aluna de 24 anos, Suênia Souza Faria, com a qual, meses antes, teve um relacionamento amoroso, em Brasília. A princípio o pensamento 'Que mundo cão!' faz a notícia ter um sentido e pronto. É com ele que se trabalha e manuseia a cobertura jornalística. Veste-se uma máscara de profissionalismo e anula qualquer envolvimento emocional diante do fato. Tudo em prol do trabalho. Mas assim que a ausência do ambiente da redação vai se esvaindo, mais latente dentro da gente emerge o lado humano. Aos poucos, ressaltam-se a crueldade e loucura que envolveram esse homicídio.      Antes de ser jornalista, sou mulher. E enquanto mulher, fui universitária, serei sempre uma aluna. Vivi um ambiente acadêmico, fiz amizades com meus professores, estive bastante próxima de uma realidade como a dela. Seu pai mora na mesma c…

Antagonismo crônico

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Eu tenho metas ... dentro de mim Tenho desejos ... em minha mente. Explodo em vontade! si-len-ci-o-sa-men-te Quero abraçar o mundo me agarrando ao travesseiro. Quero construir degraus ... sentada no sofá. Penso em mudanças vivo estagnada. Tudo aqui nada acolá minhas mãos esperam  um trabalho a organizar e ficam vazias, enquanto a mente transborda em agonia. Uma rotina centrada Foco. ATENÇÃO! mente e mãos seguindo a mesma direção. Respiiiiiiiiiiira... Solta.... Age. Segue.  Vai. Anda! Sem olhar pra trás!


Nathália Coelho

Fragilidades

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Ultimamente tenho pensado em minhas fragilidades. Meditado sobre como sou formada de problemas que me impedem de ir além, ou, pelo menos, tardam minha trajetória. Às vezes, para os outros essas pedras nem têm cara de pedras, de fato. Mas para mim, apertam o sapato, causam calos e incomodam de forma profunda. Reconhecer minhas falhas tem sido importante para entender o que me carece momentaneamente. Em contrapartida, na mesma proporção, tenho a plena certeza de que a solução de tudo está somente nas mãos de uma única pessoa: eu. 
Aquilo que muito se quer e não consegue fazer. Faltam forças. A linha que divide o ir do ficar é o que caracteriza a fragilidade. Descobrir o que me aflige é exercício diário. Somos como o novelo de lã que o gatinho brincou: um emaranhado só, cheios de nós. A vida é o tempo para desfazê-los. Os nós mais apertados só desembaraçam depois de longos anos. É que a maturidade tem a chave do segredo. Contudo, importante é saber identificar aqueles que precisam ser des…

Sábado de plantão

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A pauta era um homicídio na Asa Norte. Enquanto o policial não chegava, um João de Barro nos fez companhia. Estava trabalhando, assim como nós. Em seu bico carregava terra e matinho para o alto da copa da árvore, cujo as folhas reluziam ao sol - verdes como nunca - apesar da fumaça de Brasília. Ao observar a vida, eu buscava uma notícia de morte. Quem morreu foi um rapaz de 26 anos, João José de Brito, na noite de ontem, com um tiro no braço. Oriundo de Planaltina, havia deixado sua casa para construir uma nova moradia na invasão da L3, próximo a UNB. O irmão informou ao agente que ele era casado e não usava drogas. A polícia também confirmou: sua ficha era limpa. Mas como isso não é prerrogativa para assassinatos, dois homens armados chegaram ao assentamento num monza preto. Contra ele, dispararam um tiro certeiro. A vítima jazeu sob as estrelas.  João José pegou uma lona e construiu um abrigo na beira do asfalto. Pela manhã, o João de Barro pegou a terra e construiu sua casa no…

Meio século de coragem

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Esse homem lindo completa 50 anos hoje. Meio século de vida, de luta, perdas e vitórias. Meio século de muita coragem para vencer os obstáculos que foram aparecendo com o cotidiano; para aceitar o novo assim como quem se veste em uma manhã. Coragem para caminhar, mesmo que os pés estejam calejados da estrada. Cinquenta anos vivendo na fé, para transmitir aos seus que nós somos mais fortes que o medo.          

Como sou agraciada! Mais do que brinquedos e roupas caras, meu pai me deu o maior presente de todos: AMOR! Esse revestiu minha alma, esquentou meu coração e sempre me fez assim: inteira.           

Nesse dia, pai, o que eu mais queria era estar ao seu lado para te abraçar muito forte, te encher de beijo e reiterar o quanto eu te amo, o quanto você me faz feliz por ser simplesmente o Edilson. O Edilson das frases sábias, das conversas intelectuais, dos devaneios, dos filmes, das músicas, das poesias, do humor, da culinária, dos livros... Que Deus abençoe sempre seu caminho, pai! Vo…

Entrelinhas

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Eu continuo com essa mania de querer ler o que você não escreveu, ouvir o que você não disse e interpretar um olhar que você não olhou. Acho que aprendi a te decifrar, mas não por completo. E é essa incompletude que me agonia, escarnece meu ser. A indefinição do seu eu é como a cólera. Começa ao tentar contemplar o seu rosto. Seus olhos baixos me evitam. Sinto os primeiros sintomas da moléstia. A dor sai da cabeça e transpassa o coração. Desfaleço aos poucos. Cada atitude camuflada vai decaindo meu quadro clínico. Agora, que pouco te encontro, vivo a te encarar por lembranças. E a doença é bem pior...
Não sei, mas nenhum dos seus gestos me denotam reais. Você esconde. Ou melhor, se esconde. Oculta algo grave em si mesmo. Ninguém pode saber. É segredo guardado no baú de suas entranhas. E que ficará aí por longos anos... Não sei se corre somente de mim ou de quem ocupar o lugar de um 'amor' em sua vida. Mas o fato é que, para mim, sua serenidade não é serena. Sua tranquilidade gr…

Quentinho do sofá

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Nathália Coelho
Deitei minha cabeça no braço do sofá. O ‘quentinho’ amassou minhas bochechas. Era o calor do notebook, que minutos antes estava sobre o lugar. Fechei os olhos e imaginei um abraço bem apertado produzindo o mesmo efeito daquela temperatura. Já havia sentido aquilo antes. Era igual à sensação térmica do afago dos corpos a proteger dois corações apaixonados. Quando a energia de um casal em sintonia se encontra, é como raios de sol ao amanhecer. A luz aquece devagar o dia, até explodir em brilho e quentura.
Em seguida, vem um beijo. Momentos de ternura. O olhar cúmplice. O carinho na mão. A conversa fiada. O aninho no colo do outro. As horas, a despedida, a saudade, o dia seguinte, as ligações, as brigas e reconciliações. Tudo isso é cheio do ‘quentinho’ do sofá, o doce sentimento de quem ama e é amado, reciprocamente. E tudo isso passou como um cometa enquanto eu recostava minha cabeça sobre o divã.
Abracei a almofada e pensei em minha solteirice. Às vezes, ficamos, assim, …

No twitter

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Numa bela manhã, João Vicente de 10 anos decidiu fazer um twitter. Sabendo da notícia, não titubeei em seguir o meu irmão postiço na rede social. 
@NathaliaCoe: João! Como você tá conectado nessa internet! Tô te seguindo, meu irmão 
lindinho! @Saliba2Joo: to atualizando minha vida.
João já entendeu que é preciso atualizar de vez em quando a nossa vida!

Filmes de amor

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Nathália Coelho


Filmes de amor são para chorar. Para mexer com tudo aqui dentro. Filmes de amor vem com kit 'faça seu vôo sozinho.' E então viaje pelo imaginário, pelos sonhos e pelas ilusões. Filmes de amor tem gosto de suspiro e morango na boca. Transformam-se em doce depois de passar pelo azedo das decepções. Fecham os olhos, molham o rosto de lágrimas e dizem: 'Aiiii!' Ai, que vontade de viver uma história como essa! E o telespectador abraça a almofada, morde os lábios, afunda o corpo no sofá, sorri sozinho. Filmes de amor são para rir também. Rir da comédia romântica e da nossa própria vida. Afinal, quem não leva com humor os desencontros acaba se fechando para novos encontros. Filmes de amor engolem a pipoca num segundo. Dá ansiedade e pode roer as unhas. Pode contorcer na cadeira do cinema. Filmes de amor aliviam a tensão cotidiana. Alimentam as esperanças, salpicam o olhar de estrelas e tudo é visto com candura. Filmes de amor são mero entretenimento. Destinados…

A linha de produção

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Deus testa nossa calma e paciência pelo cotidiano. Os dias passam e a importância da espera fica cada vez mais clara. Sim... A vida é como uma linha de produção industrial. A cada ponto, algo a acrescentar, a construir, a modificar. A princípio não entendemos o porquê de passar por aquela etapa. É que nossa visão humana é limitada, pequena. Mas nós devemos tentar superar tudo isso e almejar o produto final.  Nascemos, crescemos, existimos, morremos. Tudo em prol da vida eterna. Viemos de Deus, somos Dele, vivemos por e como Ele quer. Vou confiar, mesmo que a luz ofusque a visão da estrada. Não deixarei que os faróis da pista contrária façam eu perder o foco em direção ao horizonte. Sem cessar, caminharei. 

O portão da garagem

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Nathália Coelho
O carro está parado no segundo subsolo do residencial Village de Pituba. Breu. Os olhos enxergam a luminosidade artificial. Os pensamentos acompanham a escuridão. Ainda não despertaram totalmente. Estão acordando, pouco a pouco. Liga-se o motor e o rádio. Um chiado denuncia: lá em baixo as ondas sonoras não chegam muito bem. O veículo faz a curva e sobe a primeira rampa.

Rosto iluminado pela luz do dia, que vai entrando pelas frestas do portão da garagem. Enquanto ele se abre ao toque do controle, o motorista observa o mesclar das barras de ferro com o balançar das árvores. É nesse momento que nasce a poesia da manhã. E a mente se abre, e as nuvens se dissipam, e se imagina o quanto é bom viver. E se agradece por mais um dia, e vai seguindo ao som dos versos e da rima. Logo se anima, e não se aninha. Decide fluir. Ir!

A luz entrando pela fresta do portão. O verde balanço das folhas. As gotas de sol que brilham a cena. Tudo leve como uma pena. A imagem recorda a natureza a…

Mar vivo ou morto?

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"...é preciso estar tranquilo pra se olhar dentro do espelho!  Refletir... O que é?" Cidade Negra Nathália CoelhoEra noite quando me deparei com a estranha calmaria. Percebi, nada me inquietava. Ideias sóbrias, pensamentos retos, mãos repousadas sobre os joelhos. Deitei um pouco e fiquei meditando sobre essa ausência temporária de mim. Não entendia o que se passava. Geralmente, noites dadas à solidão acabam cheias de interrogações pelos cantos da casa. Aliás, todos os pontos possíveis dentro da mente fervilham no caldeirão de acontecimentos revistos. Mas dessa vez, estava vazia de reflexão. O que ocorria? Não era falta do que pensar. Pelo contrário! A pilha de assuntos acumulados era exatamente o que me levava a preocupar com esse 'não pensamento'. Temi a mim mesmo. Confesso, não entendi o motivo de estar tranquila. (Estava tranquila? Não sei se podia chamar isso de tranquilidade.) Afinal, me aflige pensar que os dias podem passar sem que eu os perceba; que as coisas aco…

Os ensinamentos do tempo

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Nathália Coelho
‎"E palavras mordazes que machucam tanto,  não vão levar a nada, como sempre..." Legião Urbana

Já escrevi muitas coisas que desagradaram os olhos de quem lia. Falei mal de muitas pessoas. Fui irônica. Usei do sarcasmo. Tudo para aliviar a dor da perda repentina sofrida pelo coração. Peguei a agonia do término de relacionamentos infundados e a transformei num poço de facas. Atirava-as por todos os lados. Era como um alívio indireto. Arrancava gargalhadas dos amigos, uma piada e outra jogada ao vento. Tomada pelo torpor da raiva, fui cega para ver o estrago que fazia ao alvo de tudo aquilo.
Não retiro nada que fiz, pois, de fato, foi a tática escolhida parar driblar os fantasmas do medo e da mentira que me rondavam madrugada adentro. Às vezes, falar pelos cotovelos, digo, escrever assim, para atacar, só é interessante quando começa a amaciar o peito, dando passagem a calmaria que logo vai desembarcar. Contudo, se fosse hoje, não faria igual. Não atiraria pedras. Não…

Conversa de elevador

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O elevador está lotado. Cinco pessoas. De repente, para no terceiro andar. Entram dois garotos de sete anos. Eles estão vestidos de roqueiros, óculos escuros. Um carrega uma guitarra de brinquedo pendurada nas costas. O outro, em uma das mãos, um microfone; na outra, duas baquetas de bateria. - Nossa, mas vocês vão cantar onde? - um senhor pergunta. - Vamos ensaiar uma música ali no playground. - Que legal! E essa camisa preta, aí? - uma senhora fala. O menino que a mulher se refere olha desconfiado e faz menção de tirar ou esconder a blusa. - Não, tira não! Tá legal! - Não, não ia tirar não. Só ia mostrar minha tatuagem.
Todos começam a rir.

Só se eu quiser.

Se eu quiser, posso deixar-me levar pelas mazelas mundanas e humanas.
Assim, afundarei num mar de tristezas.
Se eu quiser, posso acabar com a alegria dos dias ao pensar na falta de respeito e alteridade entre os povos.
Assim, trancarei meu coração ao próximo.
Se eu quiser, posso enxergar uma nuvem negra que paira sobre a humanidade e faz chover ódio entre pais e filhos.
Assim, acostumarei com a iniquidade ao meu redor.
Se eu quiser, posso pensar na deserção dos valores e tradições do pós modernismo.
Assim, viverei o efêmero e o superficial nos meus relacionamentos. 
Se eu quiser, posso acreditar que tudo é ruim e o mundo não tem mais jeito.
Assim, ficarei eternamente imersa na negatividade.
Morrerá a esperança, padecerá o amor...
Vou cair e ficar no chão. Músculos fracos para enfrentar o que desconheço.
Mas só se eu quiser!


Porém...
Prefiro olhar o sol. Amanhecendo ou se pondo. Tanto faz. Todo dia ele vem mesmo...
Prefiro sentir o vento. Parar por um instante, fechar os olhos e deixar meus cabelos b…