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Mostrando postagens de Outubro, 2012

sobre o foco da alma

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Há dias que ficamos assim, como essa imagem: tremida. Sem luz suficiente ou base sólida para marcar o simulacro digital do filme fotográfico. Trememos por dentro, misturamos sentimentos, jogamos tudo pra cima esperando que nada caia sobre nossa cabeça. Coração aperta sem motivos aparentes. Sufoca com a ausência da coragem nossa e alheia diante da vida. Padece só de pensar nas fugas dos relacionamentos, da falta de maturidade no aprofundamento das relações humanas. Como o instante que materializou o momento, ficamos parados no tempo, esperando que algo novo aconteça sem sair do sofá. É que às vezes essa história de viver em crescente velocidade gera uma reação adversa de querer parar o tempo. E quando cessamos, tudo que é pesado do mundo recai sobre os nossos ombros e ludibria os sentidos, deixando a gente assim: sem foco, borrada, rabiscada por dentro. 

Fragmentos de texto - A bailarina

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A plateia aguardava ansiosamente a chegada das bailarinas no palco. De repente, elas entraram de mãos dadas. Três meninas de três e quatro anos vestidas de amarelo e bolinhas vermelhas. Uma garota com seus dez anos cuidava de todas as florzinhas, fazendo-as não perder o ritmo e guiando os passinhos. No alto da cabeça um coque, meias-calças e uma saia armada. Vieram na ponta do pé, dançando de forma elegante para uma criança. No rosto, um sorriso que não se continha. A música alegre do grupo Palavra Cantada tirava também risos e aplausos dos espectadores. Um clima amável tomou conta do auditório e a emoção falava mais alto. Na primeira fila, estava a mãe de uma delas. Sorria ao ver a filha saltitando no palco. O pai do lado fotografava todos os passos freneticamente. 
  Elas corriam na ponta dos pés numa elegância de dar inveja. O ritmo da música proporcionava leveza à apresentação. Pareciam se divertir. Num rodopio, a filha avistou a mãe bem na frente. De súbito parou mesmo com a mú…

A sala de vidro da chácara

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De lá de dentro, via-se a mistura de tons de verde da Chácara. Observavam-se também as duas piscinas, o extenso milharal, o pomar atrás da Capelinha de Nossa Senhora Consolata, cuja proprietária, minha tia Junice, era devota. No canto esquerdo, um pequeno jardim cercado folhas amareladas e a ducha de onde caía a água com poder de lavar a alma e restabelecer as energias. Os meus olhos de criança enxergavam tudo em lentes de miopia. Eu não sabia como e nem podia entender, mas aquele cenário representava uma profunda paz de espírito.
    Tudo era visto em reflexo da sala de vidro. Um espaço amplo, decorado com móveis rústicos e almofadas floridas em cores quentes. Nas paredes, quadros vivos de xaxim com flores vermelhas. As árvores davam uma sombra boa. E tudo era festa de criança. Alegria à toa. O pé de mamonas virava fábrica bélica para brincadeiras entre os primos. A mamona-bala voava para todos os cantos. Se corríamos para perto da casa do caseiro, deitávamos de propósito de lama…

Sobre estar pronto.

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Sim, temos um ponto. Um ponto de amadurecimento, igual fruta quando cai da árvore. Acabo de crer que atingimos esse ponto no momento em que Deus nos permite caminhar ao lado de outra pessoa, a fim de construir uma família. E isso deve acontecer naturalmente, como o bebê aprender a engatinhar, em seguida caminhar, falar e assim por diante. Ou, continuando com a primeira analogia, a semente ser plantada, virar mudinha,  crescer árvore frondosa, ter flores e frutos. As coisas devem fluir, e, se fluiu, era porque tinha de ser. Dar certo não significa que a estrada será isenta de problemas, pelo contrário. É por isso que serve o ponto. Para lidar com as adversidades sem invadir a individualidade do companheiro e feri-lo por dentro. 
Contudo a nossa humanidade e afastamento do equilíbrio divino faz com que nos precipitemos, levados pelo afã do envolvimento da paixão, à construção de famílias forçadas. Não digo somente com a chegada de uma criança (o que é importante demais, talvez o estágio …