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Mostrando postagens de Março, 2014

Lista de compras

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- Papai, toma a minha lista de compras. - disse Julinha, 2 anos, entregando dois papeizinhos nas mãos do pai.
- O que está escrito aí? O que você quer?
- Eu quero um caderno novo, uns livros da vaquinha e uma máquina que faz click (fotográfica). - disse colocando os dedinhos sobre cada linha. - Eu fiz duas listas. Uma eu vou guardar na sua carteira. Não esquece, tá?



Em retalhos

Debaixo do cobertor rosa  tem uma colcha de retalhos. 
Debaixo da colcha,  tem um coração costurado  em quadradinhos de histórias.
Pedaço cá, pedaço lá.
Um leva uma fatia embora,  vem outro e remenda o dele no lugar.
A linha usada varia a cor.
Depende da emoção da troca.
Debaixo da colcha de retalho  tem um coração  que se fragmenta porque ama.
E bate descompassado  no peito da dona.
"Coração Bobo!
Coração bola!"
Agora mesmo chora pianinho ] com o barulho da chuva lá fora.
E agradece a Deus. 
Agradece. 
Agradece. 
(...)

25 anos.

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A vida é um sopro. E a continuidade dela, a respiração. Se a troca dos gases cessar, pelo menos para a Terra, perecemos. É do fôlego que os dias são feitos. E do pulmão vem a força para seguir em frente. São os ventos que trazem as alegrias e tristezas da estrada. Alguma vezes é brisa leve, em outras, vendaval. 
Quando criança, aprendemos a brincar e admirar um balão que infla e se preenche de ar, cresce e estoura... Assustamos, mas logo temos outro e tudo está feliz de novo. Quando adolescente, nem ligamos para os balões. Também não percebemos que estamos nesse processo de inflar, preencher e estourar... E de fato estamos. 
Já na vida adulta, os balões voltam a ter cor. E podem ser observados lá no alto, voando no céu azul. Seguem avante e sempre acima, como os nossos sonhos. Às vezes, entendemos que somos como um balão. E a busca na maturidade é por esse eterno preenchimento de vazios... Nunca queremos estar murchos (nem por dentro e por fora). Mas às vezes acontece...
Também compre…

Escancarada

Nua.
Aberta.
Revelada.
Deixaram a porta destravada,
perderam a chave.
Livro já sem capa.
(Para não julgar a princípio)
Já nasceu boca falante.
Esguelando mundo afora
Palavras ditas, gritadas
Depois escritas
E quando escritas
desnudou a alma também.
Sem necessidade do esconderijo
Que abarca medos e abismos
Seus abismos também são habitáveis... afinal.
É parque aberto à visita
É visita à espera do parque
Vice e versa
Versa e vice
Virada do avesso.
Às vezes no zetel.
Só às vezes.
E sempre.(...)

Porta de entrada

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Quis mergulhar em suas respostas e,
 recebi apenas uma palavra de três letras
capaz de trancar sentimentos 
e tudo que está plantado dentro de você.
Visitante que recebe a porta na cara 
precisa ir embora e não querer mais voltar (...)
Quem não consegue me dar mais que uma palavra, 
o que mais seria capaz de doar além 
do tapete da porta de entrada?

Desmantelo

Entrego-me
nem sei quem és
tu também não me conheces
talvez de vista, de estados, de modos
de corpo, de contexto
Nada sabemos um do outro daquilo
que vem de fora para dentro
Mar a natureza sentiu semelhanças
Coração pulsou gritos e amenizou saudade
daquilo que aparentemente nunca foi
ou era e é,  até seus olhos me encontrarem
e o desejo ir além de um balcão.
Resgatou-me de mim mesmo,
da introspecção de viver nesse esconderijo
do interior do interior...
Pegou minha mão e me puxou
de dentro da minha piscina de desesperança,
fez-me sentir novamente.
Abriu meus olhos para as formas,
me desenhou com os lábios.
Reconheci-me diferente,  e no torpor,
Mudei. Te encontrei.  Achei,  conheci.
Tu és misto de fogo e candura
Entorpecente da razão
Causador de barulho onde habita(va) calmaria.
É feito criança que entra gritando na igreja
com chocoalho na mão
Tirando sorriso da boca dos fiéis
Do nada!  Você apareceu.
Do nada!  Domada. Domada (fui)
Do nada.  (...) E trouxe tudo consigo.