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Mostrando postagens de Fevereiro, 2012

Do prefixo "a" (...)

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É como se eu tivesse me instalado no prefixo 'A'.  O 'A' da negação, do afastamento.  Sinto-me imersa numa bolha de neutralidade absurda em sentimentos amorosos.  E quando o coração fica assim, nada de tranquilidade do ser.  Pelo contrário.  Estar a-sentimentada te faz vazia.  Dias sem novidade, abraços sem calor, nada de beijos escondidos.  Nem pelo sim, nem pelo não.  Um cotidiano normal e muito cheio de pudor.  A vida desce seca e insossa, sem tempero.  As músicas são somente músicas.  As letras em melodia não invadem as recordações que ficaram quietas e empoeiradas no canto de um coração quase sem mobília.  E não tem rastros da expectativa de um novo romance, nem de sofrimento de um término recente.  Não tem exageros, nem para quem mandar indiretas.  Sem declarações. Sem maldições.  Departamento em contínua manutenção.  E o coração está livre do amor e de seus reveses, embora esteja terreno arado, pronto para o preparo.  Mas não tem quem plante...  E eu que pensei que sofrer de amor…

O celular do Lucas

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- Lucas, de quê mesmo você está brincando?
- Com meu celular. Ele tem joguinhos. - respondeu meu primo de 3 anos sentado à mesa, numa tarde de domingo em Formosa, na casa da vovó.
- Legal, deixa eu ver! Posso também?
- Pode. Olha só, tem esse joguinho da aranha. Ela tem que comer os bichinhos da teia de aranha.
- Ah, entendi! Deixa eu tentar.
- Você aperta o cinco, esse botão aqui e esse aqui. - e me explica movendo a pequena mãozinha pelas teclas.
- Gostei desse.
- Mas tem outros! Você prefere o da cobrinha, do carrinho que é uma corrida, do tijolinho que vai caindo, ou o da baratinha que tem que fugir do monstro? Espera, deixa eu colocar pra você.
- Caramba, tem tudo isso!? Seu celular é muito moderno!
- Tem! - Sorri, tímido.
- Tem também um de uma bolinha vermelha que vai passando pelo caminho?
- Esse não... Meu celular não tem jogos pagos. Esse tem que pagar. Ou outros são livres.
- Mas tem um de uma nave que atira no céu e de uns balões coloridos.
- Depois eu quero ver esse também!
E saí. Deix…

Cansaço da mente.

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Ando cansada. Não é fadiga física. É mental. Talvez essa seja a pior de todas. Afinal, o cansaço de nossa mente impede a criatividade dos pensamentos. Impede seu silêncio. É como uma grande festa dentro da gente. Mil falam ao mesmo tempo. Lateja uma, duas, três vezes. Não há foco. O corpo deitado não consegue se desligar dessa energia espalhada por todo o ser. E a gente fica elétrica. Uma eletricidade de curto circuito. Não é fogo bom. Queima e arde. E se pensa em escrever, mas linhas não se movem. E se tenta esquecer, mas tudo é lembrança difusa. E se tenta deixar tudo branco... Mas flashes de mil cores explodem o olhar, que permanece fechado, sonhando em dormir. Ave Maria cheia de graça... e o jornal que não monitorei. Pai nosso que estás no céu... e o telefone que não atendeu. Creio em Deus pai... e o recado que não anotei. Santo anjo do Senhor... e aquele assunto que perdi. Nada se completa. 
Aaaaaaah!  O grito interior clama por paz com tanta intensidade que o físico teima em adorm…

A primeira namorada

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Sabendo da notícia de que Lucas, de 3 anos, estava "namorando" uma coleguinha da escola, Samara, sua prima, o questiona: - Você tá namorando a Amanda? - Tô! - responde rápido. - E você tem tamanho para namorar? - Tenho, ela é do meu tamanho...

Particípios.

Sufocada. Cansada. Estressada. Indignada. Estagnada. Estafada. Entalada. Calada. TPM - ada.
Res-pi-ro esperança.

O esconderijo

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A proteção está no sorriso da criança que dança e canta com simplicidade tem olhar ingênuo e puro livre das coisas do mundo É lá que vou me refugiar nesse olhar... É na graça de conviver com os pequeninos que me escondo dos adultos troco palavrões por palavrinhas que saem da pequena boca e tem grandes ensinamentos vou me divertir observando a empolgação diante da formiga, do sol e de um vulcão visto pela TV... Vou construir uma casa  bem entre o olhar e o que é visto com olhos de infância que descobre e nada julga lá estarei a salvo, da mente perversa do adulto que infelizmente  esqueceu-se do dia  em que era uma criança.

Sobre autenticidade.

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Poucos são autênticos. Não digo em relação à gostos, moda ou qualquer outra coisa que adorna o físico ou intelectual. Nesse aspecto não tem como ser único. Somos muitos sem nem saber. Falo da autenticidade de ser a si mesmo em todas as circunstâncias, sem máscaras, sem mentiras, sem auto hipérboles elogiosas. Ter confiança em ser quem é. Isso sim é ser único. 
Faltam únicos nesse planeta nos cerca. Vejo iguais se arrastarem por todos os lados dançando o vazio da esquina de um final de semana qualquer. Ouço a voz triste no grito histérico de uma música embalada pelo etílico hálito de amantes de uma noite só. A fumaça dos cigarros envolve as criaturas que pensam, mas precisam se enganar irracionalmente na busca de uma felicidade que se vai com a tal nuvem solta pela boca. 
Convivo com personagens. Em tramas. As mais diversas. A vilã que se faz de mocinha para virar protagonista no trabalho e aceita o papel de coadjuvante na vida amorosa do chefe. A mocinha que viaja pela internet e aprese…