Uma noite no Hospital

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Noite no Hospital de Base. Ajudava a cuidar dos doentes, mas não era médica. Era uma voluntária. Passava por várias alas. Segurava a mão dos acompanhantes. E eles rezavam pelos seus entes queridos. Nem todos me enxergavam. Sobre os enfermos eu impunha minhas mãos. Podia sentir a energia de seus corpos. Na UTI neonatal, as mesmas crianças internadas brincavam e flutuavam. Foi quando percebi que estava num plano paralelo. Até mesmo os bebês conversavam comigo. E alguns mais sapecas gostavam de me transpassar o próprio corpo. Sentava ao lado dos pais. E lhes prescrevia alguma coisa intuída de Deus em um papel. Escrevia. Escrevia. Escrevia. E deixava o recado/receita lá. Também tinha a água, limpa e transparente. Cristalina. Era materializada sobre uma mesinha. Eu pedia para que bebessem. Em cada pessoa que chegava, dizia "a vida é muito mais do que vê." "A vida acontece quando não se pode enxergar." "A vida é além desse lugar." "Confia em Deus." Eu sorria. Sorria. Sorria. Ainda que permeada da dor.

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