Sexta da Paixão.


A Paixão de Cristo / Filme - Mel Gibson

Jesus foi corajoso e forte, de uma resiliência e resignação sem tamanho. Lá no fundo talvez temesse, (como agoniou e pediu ao Pai que afastasse o cálice), mas foi em frente. Aguentou até o fim. Passou por entre pedras e espinhos. Caminhou ao calvário. Seguiu calado. Sofreu amando, e por isso deixou-se viver toda a paixão. Jesus não fugiu. Jesus não lutou contra o desconhecido. 

Jesus, mesmo sendo Deus (meu Deus!), preferiu cumprir a missão de se dilacerar em vida. Jesus não vociferou contra o Pai, nem tampouco extinguiu em seu coração a existência Dele. Não foi por causa da dor que Cristo usou da violência. Trovejou em Jesus. A tempestade durou horas de tortura. Um milhão de feridas e chagas abertas. Foi Humilhado por parte de quem é intoxicado pela podridão de emoções mesquinhas. Jesus esgotou o tempo fechado em si e esperou as nuvens se abrirem e, ainda todo acabado, acolheu o irmão na cruz. O machucado de Cristo sangrou de verdade, dentro e fora. E Ele viveu esse tempo. VIVEU. 

Até vir a cura, a renovação, a nova vida, a ressurreição. Meu Senhor, quão grande é o seu ensinamento sem proferir uma palavra. É assim, na minha arrogância acho-me no direito de irritar-me com coisas pequenas, de gozar do outro e brigar, de questionar meus problemas (a maioria fruto de minhas escolhas), fugir das situações, achar que tenho direito de não sofrer e me revoltar por conta desses inevitáveis momentos . 

Pelo segundo dia de sua paixão, venho questionar quem sou eu. Esse ser tão minúsculo capaz de esquecer em um minuto TUDO que o Senhor sofreu. Sem nem mencionar ainda o fato de ter sido por mim, por nós, eu deveria aprender só de olhar, só de saber. Meu Jesus, que possamos ser de verdade, ser inteiros, que não nos envergonhemos do choro, nem pensemos que temos a necessidade de estar bem sempre. Mas que não nos afundemos nessa condição, a ponto de não ver a aurora adiante. 

Que ninguém tire de nós esperança do terceiro dia. 
Amém!

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