Teto de vidro

Atire a primeira pedra quem nunca se sentiu patético, perdido, esquisito, bobo e pequeno diante de certas momentos da vida. Atire a pedra, só se você é daquele supra-humano mega-perfeito sem-defeito ou problema-existencial de vitrine, que sempre tem dinheiro, anda com as contas pagas, não tem conflitos, um super emprego, o melhor relacionamento de todos e, claro, corpo, pele, cabelos, unhas sempre bem feitas; inteligência, humor, temperamento equilibrado 24 horas dia. Mas pensando bem, provavelmente você não terá uma pedra no caminho para atirar. Afinal você é da ordem do ideal, quase um protótipo de ser humano blaster-evoluído. Só me pergunto porque você ainda está na Terra! De todo modo, é melhor não atirar pedras. Nem os evoluídos, nem os normais. Os primeiros porque não existem; os segundos, porque passam todos, de um modo ou de outro, por dores na vida. Sejam da ordem que for. E quem se deixa, com coragem, sentir essa dor, não consegue olhar o outro por cima, nem tem forças para apontar o dedo na cara de ninguém. Quem se dói, se condói também, pelo próximo e por si mesmo. E segue adiante!

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