Feliz Aniversário, Pai!

Meu pai e eu, 1996

Pai, 


Eram seis horas da tarde. Eu estava presa em um engarrafamento na saída do Setor Bancário Norte. Começou a tocar "Wish you were here" no cd player. Estava ouvindo a seleção de músicas do seu pen drive. Na mesma hora o pôr do sol saltou em meus olhos e percebi o ir e vir dos trabalhadores cansados. Me toquei que estava em Brasília. Comecei a chorar. Não foi de tristeza. Era uma saudade meio melancólica. Anos atrás, era você ali no meio daquelas pessoas. E eu, em casa ansiosa esperando seu retorno. Hoje me vi seguindo seus passos. E pensei no seu cansaço. Envelhecer tem dessas coisas. A gente começa a se colocar no lugar do outro... Você enfrentava trânsito ou ônibus cheio e chegava em casa sempre disposto a brincar. Você sempre foi um super pai. E embora recentemente tenha escrito um texto pra você, 5 de setembro é seu aniversário e acordei com o despertador dessas reminiscências. Só quero te dizer que, hoje, tendo uma idade capaz de olhar a nossa relação de pai e filha com olhos adultos, só posso sentir esse coração preenchido por você (e minha mãe) terem me criado sem que recaísse sobre mim o peso dos dias. Esse cotidiano por vezes tão indigesto que nos assola e desequilibra. Tive que viver para aprender. Vocês são muito guerreiros por isso. Eu desejo que seu dia hoje seja de alegria, paz e aproximação com Deus. Não vou poder te abraçar hoje, pai. Por conta da sequência: Brasília - Setor de Rádio e TV - Setor Bancário - toca CD - pôr do sol - engarrafamento. Mas você vai estar presente em qualquer gesto que fizer. Julinha já me disse que vai fazer um bolo pro "Shout"! Julinha é engraçada! Amanhã nos encontramos. E eu te abraço como sempre me abraçou. Encostando um coração no outro. Deus abençoe muito, muito, muito sua estrada. 

Te amo, sua primogênita.

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