Ao meu pai...

Foto: Myrcia Hessen

Meu pai nunca teve tanto dinheiro. Não foi um mega empresário ou teve uma profissão digna do "tão bem sucedido" (aos olhos superficiais da sociedade). Ao contrário. Ele sempre foi lutador. Não dos ringues. Mas da vida mesmo. Caiu e levantou mil vezes. E sei que vai continuar fazendo isso até o fim de seus dias. Nunca nos presenteou com roupas e brinquedos caros, inclusive nunca os teve também. O nosso maior presente sempre foi esse olhar. Carregado de amor e lágrimas que revelam sua alma de sonhador. 

Meu pai tem nos ensinado as coisas de dentro. E desde a infância foi assim. O cuidado era revelado cotidianamente, na brincadeira compartilhada, nos risos soltos, nas conversas sérias, nos filmes assistidos, na música significada, na aproximação com Deus. "Minha filha, não esquece de rezar à Santa Bárbara." "Nathália, mentaliza flores no caminho." "Filha, esquece a raiva. Ela pode afastar seu anjo da guarda." "Nathália, a ansiedade é a ausência da fé." Cresci ouvindo seus conselhos, pessoalmente, por telefone, no coração. 

Posso dizer que você é uma das minhas maiores saudades diárias, desde os oito anos, quando vi você saindo de casa. Não entendemos os desígnios de Deus, mas naquele momento, Ele me deu maturidade para entender os fatos. E sabedoria para você e minha mãe ao cuidar de seus filhos separadamente, mas com tanta sintonia. Ainda que na adolescência tenha desenvolvido ciúmes de ambos, passou. Era só eu me apaixonar pela primeira vez para entender que o verbo amar existe variações... 

A vida tem feito sentido na caminhada. Obrigada, pai, por me ensinar a valorizar o humano e não as coisas. Obrigada por me ensinar que homem chora sim. Chora e escancara os sentimentos. Obrigada por me mostrar que a mudança e a adaptação é a melhor alternativa. Obrigada por me fazer entender que a vida sem Deus não é vida. Obrigada por sempre ser portas abertas à qualquer conversa. Obrigada por me ensinar que se supera problemas e abismos. Mas que o sofrimento antes e durante é inevitável. Há de aprender a conviver... Obrigada, sobretudo, por me ensinar a ter CORAGEM e ESPERANÇA. A Julinha é a materialização de ambos.

Te amo! Te amo! E ainda quero te orgulhar muito... Como você me orgulha.
Feliz dia dos pais.

Beijo, de sua filha Nathália 

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