O canto do galo

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Há certa sacralidade em ouvir o galo cantar. Eu, aqui nesse quarto escuro, me recordo de minhas avós. O canto era sinal para que levantassem . Ai elas encaravam a vida. Nos olhos, firmemente. O galo me lembra que, daqui a pouco, Deus vai amanhecer o dia. E eu preciso olhar fixo para a vida. 

O galo remete-me às terras goianas e mineiras. Ao cheiro do crepitar da lenha no fogão. Do café coado. Do pão de queijo assado e quente na mesa. O galo emerge detalhes de uma trajetória que adocicam a minha existência. 

O galo canta. E eu ouço até o radinho velho rezando o terço logo cedo. O galo canta e posso me enxergar debaixo do mosquiteiro no "quarto da cama de casal" da chácara do mestre, em Formosa. O galo canta e eu vejo uma bacia azul de minha vó Hilda. 

O galo canta e eu fico revirando memórias. 

Memórias. 

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