Papa Francisco e eu

Morava de frente para a varanda da residência do Papa Francisco. De repente, percebi uma movimentação estranha. O Papa corria de um lado para o outro, alguns homens de preto e assessores falando ao celular. Liguei a TV e a repórter já estava posicionada: "Voltamos ao vivo aqui da residência oficial do Papa. Agora a pouco as autoridades do Vaticano receberam uma ligação de um casal de coreanos pedindo ajuda para o pontífice porque estava sendo deportado do país. O Papa deve recebê-los a qualquer momento." Bom, pensei, que maravilha! Papa vai ajudar esse pessoal.

Meu telefone toca. É Francisco. "Nathália, minha filha. Me ajuda." Eu e o Papa éramos vizinhos e amigos. Ele queria que eu fosse com ele conversar com os coreanos, pois eram jovens e ele queria uma companhia. Na hora aceitei.

A cena muda. Já é noite. Como num filme, eu vejo alguém de capuz preto entrando no meu quarto, mexendo na minha caixa de agendas e cadernos antigos e pegando alguma coisa. Vai embora. Eu vejo fora da história, como uma telespectadora. Na verdade eu não sei que pegaram nada meu.

Estou com o Papa e o casal coreanos. É um fim de tarde maravilhoso. Estamos caminhando entre as árvores. O Papa fala coisas lindas para os dois e explica, com muitos eufemismos, que não conseguiu mantê-los no país. Diz que eles têm um mundo inteiro de possibilidades fora dali e vai rezar sempre para que as coisas sejam serenas. Daí, Francisco tira um coisa do bolso. É a minha caderneta de poesias escrita aos 14 anos. "Papa, esse caderno é meu, uai. Onde o senhor pegou?" "Nathália, minha filha, lá no seu quarto. Era seu. Agora é dos nossos amigos." E se vira pra eles e fala: "Aqui vocês vão encontrar poemas para seguir a estrada. Aproveitem. Esse é um presente meu e da minha amiga aqui." E eles vão embora na frente. Eu e o meu Papa Francisco observamos abraçados.
(Sonho de uma noite) 
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