Das noites.

E da noite em que poderiam ter ficado juntos, ele e ela começaram a sentir saudades, separadamente. A vontade de se ver veio do encontro - quente, estarrecedor, intenso, desconcertante -, mas sobretudo da expectativa do dia seguinte. As peripécias do acaso não permitiram o toque dos lábios, nem o afago do abraço. O laço ficou somente nas promessas e juras por mensagens.

Do instante em que cérebro e coração fizeram as pazes, nasceu a vontade do bis, da repetição da dose. E do desejo, nasceu a esperança do reencontro, do frenesi, da bagunça e puxões de cabelo (carinhosamente). O não encontro do dia seguinte aumentou a sensibilidade do toque da noite anterior, e avisou às sensações diversas para se aguçarem todas as vezes que a cena de ambos viesse à cabeça. Haja arrepios, suspiros, olhos que se fecham sozinhos, coração que descompassa no compasso dos corpos.

A superficialidade entrou em colapso e desejou as profundezas da alma. Numa madrugada a dentro, um quis mergulhar no outro e se amparar no pouco de cada um. Pelos mistérios da vida, de alguma maneira eles se reconheceram. De fora para dentro, pela primeira vez. De dentro pra fora, era como se fosse a segunda, terceira, talvez. A bondade dos dois deu as mão e quis juntar os corações.

Foi loucura e carinho. Desejo e candura. Silêncio e diálogo. Chocolate e pimenta. Contrários. Contrários como a própria vida. Do encontro e do não encontro, uma semente de continuidade foi plantada nos dois terrenos. Despretensiosa. Fruto da liberdade. Daquelas que vivem uma etapa de cada vez, seja ela qual for. Sementinha que agradece só por ter sido plantada.

E segue como aquele frase que diz "se não houver frutos, valeu a beleza das flores. Se não houver flores, valeu a sombra das folhas. Se não houver folhas, valeu a intenção da semente."

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